sexta-feira, 8 de novembro de 2013

A estátua do Cosme...ou do Stromp!

O orçamento participativo pretende ser uma ferramenta para aprofundar a ligação entre uma determinada Câmara Municipal e o seus munícipes. Lisboa foi a primeira capital europeia a implementar o OP. Não há aqui nenhuma novidade, e está tudo descrito na página oficial.

Antes de irmos directamente aos clubismos.

O cidadão queixa-se sempre que a câmara municipal não lhe liga nenhuma, que nunca fazem o que é necessário. Vamos separar as coisas. O OP pretende disponibilzar uma parte, muito pequena até, do orçamento da câmara municipal para que os cidadãos promovam determinados projectos que para eles façam sentido.

Os projetos são apresentados, lançados para votação e depois a câmara aceita-os e coloca um verba de parte para a execução desse projeto.

Claro que a estátua do Cosme Damião gera discussão. É um Benfica contra o Sporting. A estátua do D. Nuno Álvares Pereira que foi dos mais votados já ninguém liga.

Acresce ainda que o futebol tem um peso enorme na vida dos portugueses.

Misturam-se ainda assuntos de câmaras, o pavilhão que o Sporting viu demorada a sua viabilização, os parques Mayer e por aí fora. Fazem-se petições para que não avance. Mas esquecem-se que o que alguns cidadãos fizeram foi utilizar uma ferramenta à disposição de todos, sem misturar crenças.

É a estátua precisa? Não. Melhora a economia do país? Não. Mas não se podem querer excepções ao OP só porque não gostamos dela. Será para estátua, como as escadas amigas das bicicletas.

Para mim é simples o assunto, não há ilegalidade, tivesse ido uma estátua do Francisco Stromp a votação no OP 14, e claro que também lhe tinham sido destinados 10.000 euros dos 50.000 que tem como custo final este projecto.

Já agora, e contra mim falo, muitas vezes olhamos para o que os outros fazem com desdém e esquece-mo-nos que em vez de criticar porque deixamos que a rivalidade seja colocada à frente, podemos fazer igual ou melhor. Ainda há tempos li que o Benfica, ou melhor alguns associados, colocaram um placa a assinalar nascimento do clube numa rua em Lisboa. Lá está, mexeram-se. 

Nós estivemos apáticos durante os últimos 10 anos, aos poucos estamos a recuperar. Mas isso é outra história.

Deixem-me ainda dizer que o comunicado do Porto sobre este assunto é mesquinho. Falar do dinheiro público que é gasto de forma promíscua só me dá para rir, e para isso duas palavrinhas: Meneses e Olival. O Porto com a catrefada de títulos conquistados nos últimos anos, como grande potência desportiva nacional e com relevo lá fora, continua fechado na sua mesquinhez guerra norte-sul!

Por fim, não temos estátua, não lançamos nenhuma projeto, mas já me contento se amanhã ganharmos o derby. Pode ser?

5 comentários:

Pedro O. disse...

Pedro,

eu teria era uma enorme vergonha se o meu Sporting tivesse feito um comunicado do mesmo teor que aquele que é apresentado pelo porto. Esse sim, denota tal como dizes uma mesquinhez e, acrescento eu, um enorme complexo de inferioridade e provincianismo, já para não falar do ridiculo que é acautelar o erário publico, quando se tem um centro de estágio orçado em milhões de euros para uso exclusivo e pago na totalidade por uma autarquia (leia-se - dinheiro dos contribuintes).

A minha leitura e para que não fiquem dúvidas de um sócio do Sporting (31 anos de sócio) e sem qualquer duvida quanto ao seu Sportinguismo:

1- a figura do Orçamento Participativo é elogiável, porque ela permite que sejam apreciadas propostas de cidadãos que poderão através do voto dos mesmos cidadãos ser objecto de um significativo financiamento para edificação da mesma obra.

2- foi este ano premiado de forma justissima em 0,5 milhões de euros a recuperação e revitalização do jardim botanico (da Faculadade de Ciencias). Esta é uma excelente noticia para um espaço unico da cidade de Lisboa.

3- um dos prémios secundários foi igualmente entregue a uma proposta de edificação de uma estatua ao fundador do Benfica - Cosme Damião

4- Sei que a verba é irrisória (como já li vários valores, não me comprometo com o valor em concreto)

5- O Benfica é um clube rival, mas tem uma história de mais de um século, uma massa adepta enorme e é um simbolo incontornável do país e da cidade de Lisboa

6- Admitir a grandeza do Benfica é um acto de quem não tem qualquer complexo por ser do Sporting (nunca olhei de baixo para cima, sempre olhei para o Benfica de forma descomplexada e com natural rivalidade, nada mais)

7- Se Cosme Damião tiver um busto na cidade de Lisboa, vejo o facto com a maior das naturalidades

8- Se um dia o meu clube também for lembrado e prepetuado em Lisboa através de uma estatua de Francisco Stromp, congratular-me-ia pelo facto

9- o teor do comunicado do porto não tem ponta por onde se pegue e continuo a julgar que por muitos titulos que ganhem, continua a ser o insucesso dos outros aquilo que os faz mover e isso terá talvez uma justificação do foro patológico.

Abraço!

Adolfo Sapinho disse...

Meus caros,

Desculpem-me, mas com a excepção dos comentários ao mais do que patético comunicado do fcp, não estou de acordo convosco.

É que eu até não seria contra a homenagem a Cosme Damião pela CML através de uma estátua caso não tivesse sido inaugurado recentemente um museu de grande relevo na cidade de Lisboa que se chama precisamente "Cosme Damião".

Cosme Damião, goste-se ou não, é de facto um vulto histórico com relevância para a cidade de Lisboa, por ser um dos fundadores de um dos maiores clubes da cidade. Como tal merecia uma homenagem perene.

Mas se o objectivo da CML (via orçamento participativo ou não, não interessa pois a CML tem sempre a palavra final) é dar relevância a um vulto como Cosme Damião, seria possível ignorar a publicidade que o museu do Benfica já faz a esse nome? É que estamos a falar de um museu aberto ao público, independentemente da cor clubística, e que, obviamente, dá uma publicidade ao nome Cosme Damião que jamais uma estátua conseguirá igualar.

Deveria a CML ignorar este factor, independentemente de ter tido uma votação assinalável, quando estavam a concurso outras propostas igualmente meritórias? Obviamente que não! (por exemplo, se um grupo de portistas lisboetas se mobilizasse para sugerir uma estátua a Pinto da Costa e se essa proposta fosse das mais votadas fazia sentido que a CML a fizesse?)

Reparem que é exactamente a mesma coisa do Estádio José de Alvalade. A homenagem está feita através do próprio clube, que estatutariamente designou o seu estádio principal com o nome de um dos fundadores. Para quê fazer uma estátua, quando a publicidade dada pelo estádio é, obviamente, muito maior?

Desculpem-me, mas simplesmente esta estátua não se justifica.

E defender isto só vai legitimar que daqui a uns anos, na cidade do Porto, num sítio em que todos que passem por lá tenham que ver, se erga uma estátua maior que os Clérigos ao Pinto da Costa... Duvidam?

Só espero bem que a maioria dos sportinguistas não embarque neste desvario populista e não procure fazer (ou sugerir...) algo semelhante por puro revanchismo.

SL

Pedro O. disse...

Caro Adolfo,
não querendo eu perpetuar esta discussão que foi provincianamente colocada na "agenda" pelo fcp, é claro que o OP terá sempre de ter o crivo camarário, e ainda bem que assim é. Neste contexto não vejo hipotese alguma do busto do PC surgir em Lisboa.
Pela ordem de ideias que expoe, a questão colocada no seu penultimo paragafo, digo-lhe, que não duvido, tenho a certeza que não haverá estatua ao PC no porto porque o seu nome já será eternizado no estádio (é obvio).

Quanto ao ultimo paragrafo, subescrevo totalmente o seu raciocinio, e confesso recear a ridicularização do revanchismo que refere.

Agora a questão subjacente à sua discordia (que respeito):

- Vamos retirar o Pessoa de frente "da Brasileira" do Chiado, por existir na mesma cidade a Casa-Museu Fernando Pessoa?

abraço!

Adolfo Sapinho disse...

Caro Pedro,

não posso concordar com essa comparação do Pessoa, por dois motivos:

Primeiro porque não se pode comparar o consenso que as duas figuras geram (como esta discussão o prova). E o consenso deve ser precisamente um valor a ter em conta em qualquer homenagem pública.

Segundo, porque a decisão de fazer a estátua de Cosme Damião foi tomada em detrimento de outras propostas, eventualmente mais interessantes para o bem comum, através de um instrumento que apesar de ser um óptimo meio de participação cívica está, obviamente, sujeito a fenómenos de mobilização de nichos que podem não reflectir o sentimento da maioria dos lisboetas, como seria desejável em democracia.

Volto a dizer - nada contra a homenagem a Cosme Damião, mas entendo que depois da recente inauguração do museu, que apesar de ser propriedade do Benfica é de uso público e teve na inauguração o patrocínio das autoridades públicas estatais e municipais, este projecto, por responder essencialmente ao mesmo fim (evocação da figura de Cosme Damião e consequentemente da história do Benfica) deveria, pelo menos, ser adiado no tempo e implementado numa data histórica. O que significa 2014 para Cosme Damião ou para o Benfica? Nada! E o precedente que se abre não augura nada de bom, sobretudo para a credibilidade dos próximos orçamentos participativos.

SL

Lancero disse...

Queria só recordar que Francisco Stromp já tem um busto (colocado pela autarquia) na rua com o mesmo nome, na cidade de Lisboa e junto ao estádio do Sporting.