segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Gil Vicente 0-4 Sporting :: uma vitória de raiva!

Não sou dado a muitas superstições, nem costumo muito ligar a este tipo de coisas, mas ontem, acordei bem cedo, com o nervosinho miúdo porque afinal jogava o Sporting, a dar comigo num ritual de situações que a ida a Barcelos ia ser diferente.

A Stromp, de mangas compridas e sem publicidade, que ainda espero que um dia seja o nosso equipamento principal por apenas uma época, ou em determinados momentos históricos, saiu do local onde estava guardada após um jogo que tinha corrido muito mal. Vestida, orgulhosamente vaidoso, foi o quebrar do primeiro enguiço. Tínhamos de vencer.

Antes de partir para Barcelos, eu que não sou nada de afiançar resultados, e depois de ter visto o homem da estatística num jornal qualquer a tentar ser racional com o resultado do Sporting, escrevi num pedaço de papel aquela que para mim iria ser a vitória do Sporting. Sim, ontem só podíamos vencer. Com golos de Carrillo, Nani e Slimani avancei com um resultado para o jogo de 3-1. E ainda havia algo que eu queria muito ver "cair"!

Barcelos estava pintado de verde e branco. Não tanto como na época passada, mas o apoio, a vontade de ver o Sporting vencer estava lá toda. As caras conhecidas do costume, as conversas de ocasião, recordar jogos passados e fazer previsões para o futuro, comer, beber, estar bem disposto, só faltava mesmo o Sporting ganhar.

Vencemos. Com a calma e a classe que, provavelmente, não contávamos.

Escrever sobre o Sporting é expulsar cá para fora o treinador de bancada que está dentro de nós. Diariamente é o que por aqui se vai fazendo. Umas vezes melhor, outras pior, sempre com um desejo inegável de ver o Sporting mais forte. Mas não passa disso mesmo, um treinador de bancada que tenta aprender todos os dias.

Marco Silva não mexeu na defesa. Provavelmente todos, sem excepção, após o jogo de quinta feira teríamos alterado qualquer coisa. Uns colocavam o Paulo Oliveira, eu por exemplo, outros Rabia, outros até da equipa B e por aí fora. Marco não mexeu e a equipa não sofreu. Corajoso? Sinal de confiança? O treinador decidiu bem!

Durante a semana que antecedeu este jogo, foram muitas as críticas que se fizeram a Maurício e a Sarr. Claro que ninguém ficou contente com a perda dos 2 pontos na Eslovénia e os consequentes 500 mil euros, mas, chegou-se, no caso do Maurício, à ingratidão. Maurício não é o melhor defesa central do mundo, nem muito menos o pior. É aquilo que todos nós sabemos que é, e que demonstrou na época passada. Fez parte da segunda melhor defesa do campeonato, precisa de alguém mais forte ao seu lado!



Marco Silva não mexeu no eixo defensivo, manteve, e apenas fez entrar Jonathan Silva para o lado do Jefferson por este estar castigado. O 33 do Sporting pode bem ter começado ontem um "33" para o lado esquerdo e que Marco Silva vai ter de prestar bem atenção. O jovem jogador deu comprimento aquele lado esquerdo, ok, o Jefferson também não lhe fica atrás, mas não foram poucas as vezes que surgiu no centro do terreno por troca com os homens do meio campo criando uma dinâmica que não tem sido normal. Funcionou muito bem!

Marco Silva não mexeu no centro da defesa, mas encontrou certamente o meio campo que há muito o Sporting pretendia: William, Adrien e João Mário. Agora com algo bastante diferente do passado, é que há soluções. Veja-se que quando William já tinha amarelo, e com Xistra em campo era bem fácil ele ser expulso, que Oriol entrou para evitar problemas. No banco (ou bancada) ainda tínhamos Mané e André Martins. E porque na sexta já há novo jogo e na semana seguinte Liga dos Campeões, Carrillo sentou-se, e homens para a frente a esperarem a sua oportunidade, Montero e Tanaka.

Mas continuem lá a falar dos milhões que se gastaram, que raio de conversa essa. Critique-se quando tiver de ser, não quando essa crítica é só para lançar dúvidas que ainda vão a tempo de ser desfeitas.

A vitória do Sporting é totalmente justificada pela boa exibição da equipa. Muitos irão pela via mas fácil de colocar a qualidade de jogo do Gil Vicente quase no zero. Isso aconteceu, em grande parte, porque houve muito Sporting. Foram 4 golos, podiam ter sido bem mais. O último golo é uma jogada fantástica!

Ficou a faltar apenas um pequeno pormenor. Foi naquele estádio que Montero deixou de marcar. Fez um bis e eclipsou-se. Ontem entrou com 15 minutos para "matar o borrego". Eu, como fã confesso do Colombiano, queria muito que ele tivesse terminado o jejum no mesmo campo onde começou. Não foi possível. Vontade não lhe faltou e a qualidade está lá toda!

E agora? Continuar a vencer. O que nós todos sabemos é que os resultados desportivos são a melhor resposta que a equipa pode dar. Vencer é o melhor remédio. Sexta que seja a próxima!

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