segunda-feira, 8 de junho de 2015

Justa causa, Dias da Cunha, Roquette e quem sabe eleições!


Algumas considerações sobre estes últimos dias de agitação no Sporting Clube de Portugal.

Começar pelo óbvio, a saída de Marco Silva. Escrevi desde Dezembro, quando estalou o problema, que gostaria de ver Marco Silva no Sporting e a cumprir o contrato que ainda tinha. Na altura, sem haver grandes justificações do Presidente, e que ainda hoje não existem, nunca percebi a complexidade do problema. Colocando o Sporting acima de qualquer interesse particular, era importante que não tivéssemos de começar uma nova época com um novo treinador.

Se me perguntarem se acreditaria que o Marco Silva iria continuar para a próxima época? Não. A partir de certa altura, com os recados de ambas as partes na comunicação social, deu para compreender que o caminho de Marco Silva estava traçado. Aliás, a vitória na Taça de Portugal nunca seria o suficiente para a decisão de Bruno de Carvalho ser alterada. Dizia a um amigo no Jamor e na quarta seguinte a outro, que o Bruno de Carvalho quando despedisse Marco Silva iria ter de elevar a fasquia e só com Jorge Jesus isso seria possível. Trocar o segundo melhor treinador nacional pelo melhor e mesmo assim...

A forma como Marco Silva foi despedido do Sporting não é aquela que eu desejaria. Aceito isso como uma crítica que se faça do Presidente. O Sporting nunca se pautou por ser um clube com falta de princípios, mas, enquanto não se conhecerem todos os factos, e não fatos, é complicado atirar para ar um simples "isso não se faz!".  Claro que Marco Silva sempre teve boa imprensa, o Lares fez um bom trabalho. Mas fica para já a questão, quem garante que a situação não foi grave ao ponto de merecer este tratamento?

Não coloquem o Marco Silva no pedestal. Haja alguma coerência. Fartos de anjinhos e humilhações andámos nós. 

Isto leva-me a Dias da Cunha e Roquette.

Eu consigo fazer elogios a Dias da Cunha. Já o disse tantas vezes, foi o primeiro e único com coragem a dizer numa televisão em directo que o "pai do sistema era Pinto da Costa e Valentim Loureiro". Mas, é um dos sucessores de uma paradigma que começou com Roquette e que levou o Sporting ao estado a que chegou culminando com Godinho Lopes e nos milhões de euros de prejuízo operacional.

Aliás, Dias da Cunha, que fala agora em manicómio, não deverá estar bem recordado do que disse em Janeiro de 2013 na RTP Informação onde afirmava que Godinho Lopes era a melhor solução para o clube. Só se fosse para fechar. Daí que fique incrédulo como ainda têm a coragem de dizer alguma coisa numa altura em que o silencio deveria ser um ponto de ordem!

Também consigo fazer elogios a Roquette, trouxe-nos aos títulos de campeão nacional, mas também desapareceu com o património do Sporting, é o pai de um passivo gigante numa dinastia que terminou em Godinho Lopes, passou por um Presidente que queria acabar com tudo que não fosse futebol e transformar sócios em clientes, e ainda hoje não se percebe como passámos do clube ecléctico com pavilhão para a situação que todos conhecemos.

Acordou recentemente para falar mal de Bruno de Carvalho. Não lhe fica bem com tanto para lhe perguntar sobre o passado no clube!

Este acordar não será inocente. Os Sportinguistas não andam distraídos e sabem muito bem como está o clube actualmente. E vão saber ainda melhor em breve. No próximo dia 28 de Junho, na AG, mais detalhes da auditoria serão conhecidos. Este nervosismo de ambos os antigos Presidentes do clube e que estiveram no delapidar do seu património, às tantas começam a estar com receios. Só assim se pode explicar que Dias da Cunha peça para que se faça um movimento para destronar Bruno de Carvalho.

Ao que eu digo, faça-se. Se há assim tantos Sportinguistas descontentes com o trabalho do Presidente do Sporting, faça-se um movimento para convocar uma AG extraordinária com um ponto único de eleições antecipadas. Tal como se fez no tempo de Godinho Lopes. A democracia que faz parte da mudança de paradigma que Bruno de Carvalho voltou a trazer ao Sporting contrasta sem problemas com o reinado que se foi vivendo desde Roquette!

Tecnicamente o despedimento de Marco Silva é um detalhe que apenas ainda se conhece uma parte. Volto a repetir que gostava de ter visto outro tratamento na forma como o despediram, mas, não sou capaz de colocar em causa o Presidente quando: 1) não sabemos todos os detalhes, 2) o Sporting tem sido bem gerido em muitos dos processos que vão aparecendo no dia a dia, 3) defende o clube como poucos e mesmo sabendo do risco da decisão, como disse Carlos Vieira, o Sporting está preparado para os dois cenários, 4) aparentemente, mudamos para melhor na questão do treinador e 5) há muita memória curta em alguns Sportinguistas que querem elevar a Santo o treinador Marco Silva porque é o mais óbvio para atacar o Presidente!

1 comentário:

Alexandre Silva disse...

100 % de acordo. Alias, o que o meu amigo diz ai é algo que o meu pai anda a dizer à muitos anos como os "pais Valentim Loureiro e Pinto da Costa". Quanto aos ex presidentes, eu tenho 39 anos e desde os meus 4 anos que "vivo sporting", do Sr. Roquete sempre tive a impressão que é um otimo gestor de empresas mas a nivel desportivo, nada percebe e levou-nos quase tudo o que tinhamos no Sporting, sobre o Sr. Dias da Cunha, eu sinceramente até a uns anos atras tinha uma boa opinião dele, um homem sereno e que defendia o Sporting, mas perante tal deselegância e falta de educação, desonestidade e hipocrisia da parte dela com estas ultimas declarações, só obrigado a dizer que tou com muita raiva do que ele vem dizer de alguem que tem colocado o SCP acima de tudo (BdC). Mas é bom pk à data deste meu comentario, não temos o movimento que ele cria, claro está, todos tem olhos na cara para ver o que o BdC tem feito pelo nosso Sporting.