quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Sporting 2-1 CSKA Moscovo :: faltou um golo!

foto: Carlos Rodrigues (getty images)

Estamos com sete semanas de Jorge Jesus num Sporting reforçado e com outras ambições, mas muitos não esperariam que em pleno Agosto, após 3 jogos oficiais estivéssemos com 3 vitórias inequívocas. Há muito trabalho pela frente? Claro que há e o jogo de ontem mostrou que as nossas fragilidades defensivas são grandes. Já lá vamos!

Foram 41 mil os adeptos do Sporting que se deslocaram a Alvalade naquela que poderá ser a audiência média no nosso estádio, caso continuem as boas exibições e a perseguição pelos objectivos definidos para esta temporada. Seria muito bom.

O Sporting entrou forte, tal como tinha acontecido diante do Benfica e consegue uma primeira meia hora de jogo de enorme intensidade e foi quase com naturalidade que se assistiu ao golo de Téo Gutierrez. Nas assistências estiveram em evidência, Carrillo e Ruiz, este último cada vez mais preponderante nas acções ofensivas.

Para sermos mais precisos, aos 26 minutos Doumbia falha a grande penalidade que o árbitro turco viu e marcou. Foi esse o período mais conturbado do Sporting e onde as deficiências defensivas foram mais sentidas. Patrício ainda defendeu a grande penalidade, mas as setas continuavam apontadas à sua baliza, ora Musa, ora novamente Doumbia que, numa desmarcação pelo centro da defesa do Sporting, acabaria mesmo por empatar só com o guarda redes do Sporting pela frente.

A questão defensiva do Sporting tem sido trabalhada desde que Jorge Jesus está no clube. Naldo e Ciani vieram para o centro, João Pereira para a direita. Acontece que, a ver por este início de época, um já foi despachado e o outro, mostra alguma dificuldade, que neste momento só me fica a dúvida se é pela idade e falta de força física que não irá dar mais. Falo claro de João Pereira. Este alerta para o lado direito já tinha acontecido diante do Tondela e ontem intensificou-se. Diria que ter Esgaio no banco é pouco.

Claro que a ajudar a tudo isto, com William e Ewerton lesionados, a equipa do Sporting está bastante permeável e o tempo, que por vezes é conselheiro, é algo que nos falta. Claro que não vamos à Rússia jogar para outro resultado senão a vitória, e será esse o caminho para afastar o CSKA.

Estamos também apenas no terceiro jogo oficial da época, mas há jogadores que estão a "durar" muito pouco. Téo é um deles. Bem sei que leva dois golos (ok, para mim era apenas um), mas rapidamente deixa de ser um elemento em campo. Tal como tinha dito no início do jogo de ontem, não sei até que ponto Montero não seria melhor solução. Mas lá está, o treinador não sou e o que lá está sabe muito mais do que eu sobre futebol.

Depois há Ruiz. Não tenho grandes dúvidas, embora cada vez mais não o faça com tão poucos jogos, que, quando estiver em forma, será um excelente reforço do Sporting, mas para já ainda só aguenta 60 minutos.

O intervalo chegou com o resultado empatado a um golo. Justíssimo!

A segunda parte mostra um Sporting novamente lutador, um CSKA a jogar no erro e contente com o empate e um árbitro turco que, apesar de ter apitado a final da Liga dos Campeões da época passada, foi fraco e prejudicou sempre o mesmo lado, infelizmente o nosso.

Aliás, o Sporting é a única equipa que já efectuou dois jogos de andebol na Liga dos Campeões, contra o Schalke e agora diante do CSKA. A grande penalidade de Berezutskiy é tão clara que dá para perguntar o que estava o árbitro de baliza ali a fazer?

Jesus foi alterando a equipa à medida que os jogadores iam "estourando" e a entrada de Aquilani é fundamental para o desenlace do jogo. A qualidade de passe do italiano foi notória e finalmente começamos a ter boas dores de cabeça para o centro do terreno. Adrien, João Mário, Aquilani, William Carvalho são tudo opções válidas e sem lugar seguro.

Na frente é preciso mais. Se em Aveiro contra o Tondela, o argelino Slimani poucas oportunidades teve, ontem não se pode queixar disso. Já em tempos escrevi aqui no blogue, quando o ele deu uma entrevista ao jornal Le Buteur, que a meta dos 15 golos que ele quer ultrapassar é um objectivo muito curto. Slimani tem de valer mais de 20/25 golos por época. O golo que ontem marcou, e que terá sido muito importante para a sua motivação pessoal, foi o culminar de um conjunto de oportunidades que ele teve e que não conseguiu concretizar. Já conseguiu e de forma justa melhor o seu contrato, agora tem de se focar ainda mais em melhorar a sua concretização em frente à baliza. 

Nota final para Gélson Martins. A alegria estampada no seu rosto quando entra em campo é proporcional à qualidade de jogo e a à intensidade que emprega de cada vez que é chamado a entrar. Está confiante e sabe que o treinador aposta nele para ser uma das revelações do campeonato, a ver se corresponde.

O resultado foi curto, mas estamos na Liga dos Campeões, e como se viram nos outros jogos da noite, não há muito desnível nos resultados finais. Ainda assim é uma vitória, claro que teria sido melhor sem sofrer golos, mas o mais importante foi conseguido e que acabou por ser até histórico, já que foi a primeira vez que o Sporting venceu uma equipa russa para as competições europeias. Agora, de hoje a oito dias que seja a primeira vez que os eliminamos. A época depende, financeiramente, do acesso à Liga dos Campeões, e é bom que todos tenham consciência disso!

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