sexta-feira, 22 de julho de 2016

Jornalismo de investigação? Não vende!



Não me interessa o negócio Jiménez. Não me interessa quando estamos a falar do preço que o Benfica pagou por ele, se foi ou não o mais caro, ou se os três jogadores mais caros do Benfica vieram do Atlético de Madrid. Para isso estão lá os seus sócios, que podem e devem questionar se perceberem que algo possa estar mal.

O negócio Jiménez também deve ser feito com a transparência que esperamos que tenha sido. Ou seja, não pode o Benfica tirar partido de negociatas para se reforçar, se, por alguma razão elas forem duvidosas.

É aqui que este assunto me leva a uma pequena discussão que assisti no Twitter, entre um adepto do Sporting e o Bernardo Ribeiro, director adjunto do Record. O Bernardo Ribeiro, fica já aqui o meu registo, é dos jornalistas que mais responde aos diferentes adeptos. Umas vezes de forma demagógica, outras com bons insights que por vezes nos escapam e são importantes. Não é o único, mas tem muita paciência tenho em conta que por vezes é insultado. Gostava de ter mais jornalistas assim no Twitter. O seu companheiro de direcção, o Farinha, bloqueia tudo e todos!

O tal adepto do Sporting pedia que os jornais investigassem, que fizessem algum trabalho de investigação e percebesse como se realizou o negócio e como se atingiram tais valores. 
É um pedido absolutamente natural, que vale para o Benfica, Sporting, Porto ou outro clube da Primeira Liga. 

Qual foi a resposta do Bernardo Ribeiro? É a que imagem que ilustra o post mostra.

Ele começa por dizer algo muito importante, escrever num blogue não é como um jornal. É preciso provas, juntar as peças do puzzle de forma acertada. Até aí estamos totalmente de acordo.

Mas depois avança que, apesar de terem sido dos primeiros a dar a notícia (não está na imagem), isso é irrelevante, diz que "quando se faz jornalismo assim, seja em que clube for, os adeptos não gostam."

Claro que apenas confirmou aquilo que todos sabemos, os jornais só escrevem aquilo que pode ser susceptível de vender ou não mais exemplares. Não interessa aprofundar sobre os meandros do futebol, porque, os adeptos não gostam e, portanto, não compram. Vale para esta negociatas, vale para os foras de jogo e erros do árbitro. Não interessa discutir as tácticas ou as melhorias das regras do futebol, interessa é escândalo e suspeição.

Um exemplo do que vende é a capa de hoje da A Bola. Uma encomenda das boas, falar da transferência de Jiménez? Não, vamos é colocar negócios incríveis porque nos pediram um spin. A parte do Lindelof é fantástico. Nada contra o valor do jogador, tenho a certeza que estamos perante um dos grandes defesas centrais da Suécia dos últimos 10 anos, mas é a forma como é passada a negociação com Vieira quando comparada com João Mário e William no Sporting de Bruno de Carvalho.

Meus caros, isto é válido para o Benfica como para o meu clube. Eu quero transparência, infelizmente não vende. Já todos sabíamos, mas é interessante vê-la confirmada pelos agentes envolvidos!

2 comentários:

Pedro O. disse...

e se Gaitán custou ao Atl. Madrid a cedencia dos direitos desportivos e economicos ao Benfica de Jimenez, mais 3 milhões de euros e talvez, quem sabe, os custos da aquisição (comissões e luvas) de Carrillo?

e se os 14 milhões de euros de Pizzi comportam um significativo pagamento a quem adiantou dinheiro ao Benfica por naturais dificuldades de tesouraria, adiantamento que foi diluido nos empolados e irreais negócios Cancelo e Ivan Cavaleiro?

Cada um se safa como pode, cada um contorna as suas dificuldades como pode, estamos no limbo da legalidade ou já a ultrapasámos há muito, mas hoje acho impossivel fazermos uma leitura muito directa e simplista do que há uns anos eram simples aquisições ou vendas de jogadores, onde o dinheiro saia dum lado e o outro envia um jogador de futebol...

Mas seria obviamente interessante, num sério trabalho de investigação percebermos minimamente este e outros fenómenos que são hoje uma realidade opáca mas que vejo como inevitáveis, desde de que, muito importante, não condicionem ou influenciem aquilo que os adeptos querem: a credibilidade do jogo de futebol!

Cumprimentos!

Pedro disse...

" escrever num blogue não é como um jornal. É preciso provas, juntar as peças do puzzle de forma acertada."

Isto é tudo muito bonito mas quantas e quantas noticias são escritas pela CS e são posteriormente desmentidas pelo SCP?

Frequentemente vejo trabalhos mais interessantes em blogs do que nos jornais com uma grande vantagem, nos Blogues sabemos de antemão que quem está a escrever é normal que seja tendencioso e aceita-se textos com esta natureza. Num Jornal já não.

Quanto ao facto de os adeptos não gostarem de jornalismo de investigação dos seus clubes (suponho). Aceito até determinado ponto. Um jornalista tem o dever de informar e relatar os acontecimentos de forma mais verosível possível.

Acho que o grande problema do jornalismo de investigação é que para que os adeptos aceitem que lhes mecham na ferida os jornais tem de ganhar credibilidade primeiro e nem sempre o fazem. Assim como criar o hábito e o gosto do leitor para isso.

Enquanto os jornalistas se entreterem com as estórias da revista maria versão futebol dá para entreter os adeptos menos exigentes os outros acabam se cansar um dia tem piada, andar sempre a comer "merda" cansa.