sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Sobre o relatório e contas 15/16


A Sporting SAD fechou o exercício 15/16, período compreendido entre 1 de Julho de 2015 e 30 de Junho de 2016, com um prejuízo de 31,905 M€. É um mau resultado. Não há volta a dar quanto a isso. O objectivo de qualquer empresa é dar lucro. Se os resultados apresentados são negativos, algo não correu como o esperado, no entanto, não significa que o caminho seguido esteja errado. E já lá vamos.

A primeira página do Relatório e Contas que ontem ficámos a conhecer tem, logo no início, a razão que marca a viragem, diz o seguinte "época desportiva 15/16 que se caracterizou por um reforço da competitividade da SAD".

O Sporting com este exercício e com o próximo que iremos apurar de hoje a um ano, faz uma alteração que só agora era possível. Depois de dois exercícios positivos, com estabilidade, contenção de custos, reestruturação financeira aprovada, segue um modelo que já Porto e Benfica praticam: reforço do plantel em qualidade, o que implica gastar mais nas transferências e nos custos com pessoal, e ficar mais dependente das receitas extraordinárias: vendas de jogadores e apuramento para a Liga dos Campeões. O risco aumenta, a probabilidade de conquistar títulos também.

Obviamente, sabemos hoje, que o prejuízo que se verifica, a continuar a actividade que esperamos, será coberto pelos maiores encaixes financeiros do Sporting no mercado de transferências, a venda de João Mário e Slimani, os tais 54 milhões de euros que entram nos cofres do clube, pelo aumento do valor da publicidade devido ao contrato com a NOS e pelas vendas de mais Gamebox, entre outras rubricas. Se os proveitos operacionais este ano foram recorde, a tendência será para manter.  Ficamos também hoje a saber, na entrevista que Bruno de Carvalho deu à SIC, que o pagamento à empresa que ainda tinha uma parte do passe de Slimani foi de 4 milhões, em vez dos 6 milhões, houve uma negociação.

Apesar de tudo, parece-me, que a mudança de paradigma era necessária se queremos reforçar a competitividade e estar ao mesmo nível que os outros dois grandes, e o tempo irá dizer se é ou não assim um risco controlado.

Tal como já tinha dito no texto anterior sobre as transferências, o Sporting a mostrar que a transparência é um ponto de honra desta direcção, pois além da informação constar no jornal do clube, foi enviada para a CMVM no Relatório e Contas que ficamos a conhecer.

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