domingo, 2 de março de 2014

O vira minhoto versão Argelina!


Os 30.000 que estiveram ontem em Alvalade foram importantíssimos, mais uma vez, para que a vitória e a remontada voltasse a acontecer. Pronto, tirando uma minoria que continua a assobiar sem saber bem porquê, há uma crença enorme em torno desta equipa.

Ainda ontem discutia isso com um amigo, é impressionante como os jogadores, impulsionados pelos que estão no estádio, são capazes, mesmo quando não se está a praticar excelente futebol, de acreditar que é possível ganhar o jogo. A equipa suplanta-se para conseguir os melhores resultados.

Quando Adrien e Montero viram o quinta amarelo em Vila do Conde e o Braga acabava de perder mais 2 pontos em casa, percebeu-se que a semana seria de plano B para Leonardo Jardim. Ajustar o meio campo e ainda assim apresentar soluções para o banco. No ataque foi fácil a resolução do "problema", pois Slimani seria o titular indiscutível à falta do colombiano, já no meio campo a coisa complicava-se.

William era certo, André Martins também seria um dos escolhidos, mesmo que há uns bons 4 jogos não tenha mostrado o porquê de ser titular, ficava a faltar apenas uma peça para substituir Adrien. Leonardo Jardim apostou em Magrão e jogou os 90 minutos.

Dizer que Magrão merecia tanto como Vítor a titularidade no jogo de ontem, nenhum mostrou mais que o outro ao longo das primeiras 20 jornadas.

A par de todas estas alterações, o Braga veio a Alvalade após chicotada psicológica, com um treinador altamente motivado porque estava a treinar o clube do seu coração e que durante a semana não se cansou de fazer, e bem, o jogo psicológico e tentar a sua sorte. Em abono da verdade quase o conseguiu. Mas lá está, o Sporting acredita sempre, este Sporting de Leonardo Jardim não desiste até que o árbitro apite!

O jogo resume-se de forma muito simples. O Sporting entra muito bem e domina por completo os primeiros 15 minutos. Nesse período deveria e merecia ter marcado pelo menos um golo. Não conseguiu e o Braga, com um meio mais concentrado e evoluído, e um extremo que deixava a cabeça em água do lado direito do Sporting, foi equilibrando o jogo. Num lance fortuito, e este ano estamos peritos em golos comédia, Patrício acabaria por colocar a bola dentro da nossa baliza com 37 minutos de jogo.

Não desistiu o Sporting e até ao intervalo não conseguimos o empate porque a felicidade do jogo não estava do nosso lado.

Jardim percebeu que a equipa não iria chegar à vitória neste figurino. Tirou primeiro Carrillo, até então e na minha opinião o melhor em campo para entrar Capel, e mais tarde, pois aos 57 ainda não tínhamos marcado, entrou Heldon para o lugar de Martins.

Gerson Magrão ficou. E aqui reside a maior questão do jogo de ontem. Mas como raio jogou o homem 90 minutos quando pouco ou nada produzia. Eu, como treinador de bancada, não faço ideia e não sei responder. Até porque Vítor podia fazer o seu lugar, e provavelmente não iria fazer pior, e até mesmo Wallyson não creio que fosse má solução.


Mas quem manda é Jardim. O mérito desta época é todo do Mister que motiva e consegue com a falta de soluções e qualidade de alguns jogadores, fazer o que poucos acreditam. Já tinha sido assim no sábado e voltou ontem a acontecer.

Rápidos incursões em direcção da baliza de Eduardo, aos poucos a equipa ganhava um novo figurino e não foram precisos mais de 5 minutos para marcar 2 golos. Primeiro numa grande penalidade sobre Carlos Mané, limpinha, limpinha que só um artista da Sport Tv conseguiu ainda achar que era duvidoso. Jefferson converteu e assinou o seu primeiro golo pelo Sporting. E mais tarde, Slimani, outra vez o Argelino "Ça va ça va" (vejam o flash interview) a mostrar que em Setúbal a titularidade pode mesmo acontecer.

Pormenor delicioso no lance do segundo golo do Sporting. Pardo, na outra baliza e no lance anterior ao que daria o golo, aleija-se fora do relvado. Levanta-se e vendo que o Sporting ia sair com a bola, decide entrar no rectângulo de jogo a atirar-se para o chão. O Sporting bem, nem ligou ao assunto. Nessa jogada nasce o segundo golo do Sporting. Prevaleceu o espectáculo do futebol sobre o teatro. Ainda bem!

Os últimos 10 minutos são estranhos, quando poderíamos ter procurado o terceiro, e penso mesmo que seria possível, descemos em demasia no terreno de jogo, perigosamente e não fosse aos 85 minutos Patrício mostrar porque é melhor guarda redes deste campeonato, e a coisa podia ter-se complicado. 

Vitória justa e sem contestação, uma pequena nota individual, que grande exibição de Marcos Rojo!



Não posso terminar o texto sem falar de William de Carvalho. Mas que abuso de jogo. Absolutamente irrepreensível. Uma exibição assustadora porque ficamos com duas certezas: vai sair no final da época e isso será quase inevitável com a qualidade que exibe e que o mundo assiste com prazer, a sua ida ao Brasil é certa a não ser que Paulo Bento ande a dormir na hora dos jogos do Sporting.

Sem comentários: