segunda-feira, 11 de junho de 2018

Proposta de alteração dos estatutos? Não!


Melhorou muito nos últimos anos no Sporting a capacidade dos Sportinguistas obterem mais informação, seja porque vivemos numa sociedade com o acesso facilitado ao conhecimento, seja porque estamos mais vigilantes. 

Por isso, cada vez que algum assunto relacionado com o Sporting é lançado para a praça pública, principalmente para discussão pelos Sportinguistas, todos têm uma opinião. É natural, para o bem ou para o mal é algo que está intrinsecamente ligado à nossa natureza enquanto adeptos.

Seja um assunto de justa causa das AG destituitiva, seja justa causa de um contrato de trabalho de um jogador, seja as medidas de coação ou alterações de estatutos, todos, absolutamente todos, estamos dispostos a dar a nossa opinião. 

Sim, já estão a adivinhar vou falar, ainda que brevemente, sobre os estatutos que serão tema da AG do dia 17 de Junho, nomeadamente no ponto 3 da reunião.

Só vou falar porque, supostamente, vai ser discutido na Assembleia Geral e porque este Conselho Directivo lançou a sua discussão para a AG. Caso contrário, na minha opinião, este assunto não entraria nos actuais temas de discussão do Sporting. Não há razão absolutamente algum para alterarmos os estatutos, mesmo que só entrem em vigor no próximo mandato, quando há, por esta altura assuntos bem mais importantes.

Claro que se pode invocar que um assunto, se for para melhorar a vida do clube, poderá ser sempre discutido em qualquer altura. No geral, concordo com essa ideia, neste particular estou fora e não me parece nada vantajoso estarmos a pensar, sequer, neste tema. 

Também é importante deixar claro que os orgãos de comunicação social estão a aproveitar-se disso e, claro, é sempre mais uma oportunidade para "queimar" publicamente mais um pouco Bruno de Carvalho.

Os Sportinguistas têm sempre a última palavra e portanto, avançando a discussão dos estatutos para AG, serão eles a decidirem em conformidade. A democracia não se faz apenas com aquilo que achamos que é o correcto!

Ao contrário do passado, da última AG, não irei tecer grandes comentários e faço apenas dois em relação ao que é apresentado no anexo da convocatória.

Primeiro parece-me haver uma preocupação excessiva em ceder poderes a comissões transitórias de gestão e fiscalização, nomeadamente quando se refere "Comissão Transitória da Mesa da Assembleia Geral deverá ser constituída pelo Presidente do Conselho Directivo"

Não há necessidade nenhuma de alterar o princípio que quando algum orgão cai, mantém-se em funções até ser substituído por eleições para esse orgão. Chega de dar tiros nos pés!

O aditamento do nº8 do artigo 55 também não faz sentido nenhum, o Presidente do Conselho Directivo preencher com outros sócios, que não os suplentes, dentro dos mesmos requisitos, as vagas que são deixadas com os membros que se demitem. 

Já sei que aqui vem o argumento, "o governo também faz isso", eu estou pouco marimbando para o que os outros fazem. A mim não me parece fazer sentido esta alteração e há um excesso de poderes que eu não gostaria ver entregue ao Presidente do Conselho Directivo. Os sócios perdem voz com isto. Nós votámos para um conjunto de pessoas liderarem os destinos do clube. Quando as condições não estão reunidas, dá-se a voz novamente ao sócios e não ao Presidente do CD para escolher quem bem lhe apetece!

Segundo é o timing em que tudo isto aparece. À pressa, sem necessidade alguma de lançarmo-nos numa nova discussão de estatutos. O Sporting não está na situação em que actualmente se encontra por causa dos estatutos. Saibamos perceber isso e assim espero que os sócios percebam isso mesmo na AG do dia 17 que precisará de 3/4 dos votos para que sejam aprovadas as alterações.

Esta é uma semana decisiva porque acaba o prazo para novas rescisões dos jogadores de futebol, porque, provavelmente, iremos ter mais providências cautelares ou novas discussões nos tribunais, e, já não falta muito, para a que a nova época esteja pronta a começar. 

Assim, não me parece que haja outro caminho em relação ao ponto número 3 da AG do próximo dia 17 senão votar contra estas alterações dos estatutos!

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Ninguém pensa no Sporting!


Estamos a chegar a um ponto sem retorno no actual estado em que se encontra o Sporting. É (quase) inevitável que parte deste imbróglio seja resolvido nos tribunais. Por um lado o actual Conselho Directivo sente que tem condições para continuar e que não "calcou" a democracia pela via dos estatutos, por outro, Jaime Martas Soares e a comissão criada sente exactamente o contrário. Ora como isto não pode ser por "sensações", os tribunais terão a sua palavra para que os Sportinguistas percebam a que Assembleias Gerais marcarão presença.

A informação e contra-informação é enorme. Hoje em dia, e muito mais que no passado, é muito difícil saber quem diz a verdade. É para mim um dos maiores problemas no actual estado do Sporting (do futebol em geral), o que traz alguns problemas quando queremos ser lúcidos e opinar com algumas certezas.

De alguma forma tenho estado à margem porque, sinceramente, não é fácil ter uma opinião concreta sobre tudo isto, mesmo sabendo, quem me lê aqui (e redes sociais), me ouve no Sporting160, que tenho estado sempre ao lado da actual direcção. Por isso me colam sempre a Bruno de Carvalho.

Não escondo, nunca esconderei os votos que depositei nas urnas Leoninas para que fosse Presidente. Mas, não tenho dúvidas que a seguir ao que se passou na Academia deveria ter colocado o lugar à disposição dos sócios para decidirem o seu futuro. Na minha opinião, uma Assembleia Geral deveria ter sido convocada para Setembro (ou Outubro), por forma a colocar nas mãos dos sócios os destinos de quem lidera o nosso clube.

À pergunta "mas ele não foi eleito democraticamente e por mais de 85% dos eleitores", a resposta é clara: "sim, mas nunca um episódio como este tinha sucedido em Portugal". Não me venham com comparações com o que se passou em Guimarães, com o nosso rival Benfica ou até no Porto, este episódio e todas a variáveis em torno da sua situação, com alguns meses, não é, nem nunca será algo normal que se passe uma esponja com a facilidade que por vezes vejo por aí falar. Nem isto é um problema de jogadores de futebol vs jogadores das modalidades. Não confundo isto, como não confundo o que de bom tem feito Bruno de Carvalho pelo Sporting.

A responsabilidade de quem lidera muitas vezes é "atraiçoada" por acções que não estão ligadas directamente ao líder. Não sendo o autor das ações (não quero acreditar na sua autoria), há obviamente enquanto líder uma responsabilidade que não pode fugir. Não confundir se isso é o suficiente para os jogadores pedirem justa causa por que não sou advogado, coisa que nos últimos dias parece fácil para qualquer adepto nas redes sociais. Esse é outro assunto que decorre, obviamente, do problema essencial.

A questão não é se Bruno de Carvalho foi legitimamente eleito Presidente do Sporting. Claro que foi. O problema está na forma pouco ortodoxa que está a resolver um problema em que ele é interveniente e não foi criado pela comunicação social, nem pelos rivais e sinceramente, nem pelos oposicionistas dentro do Sporting. 

Assim, não tendo sido possível seguir aquele que me parecia ser o caminho mais certeiro para evitar todos este problema, uma AG para os sócios ouvirem e deliberarem sobre a continuidade desta Direcção, o que vamos assistir é uma digladiar de posições que única e exclusivamente prejudicam o Sporting.

O nome do Sporting está a ser usado e maltratado todos os dias em praça pública. Por ambos os lados. Isto não tem nada a ver com o que depois vai aparecendo todos os dias e que é visivelmente criado para atacar o Sporting, esses assuntos deveriam estar a ser tratados por um Sporting forte e unido, algo que nesta altura ninguém estará para aí virado. Uns porque estão no poder, outros porque percebem que podem lá chegar, outros porque são figurantes de um triste teatro que só acontece no Sporting e só prejudica o Sporting.

Como a AG nunca irá acontecer, algo entre Setembro e Outubro, para que não se colocasse em risco a época, as operações financeiras em curso e aqui culpo a actual direcção que poderia ter gerido isto de outra forma, e como Jaime Marta Soares, Varandas, grupos de comunicação, empresas de consultoria de imagem e afins também não vão parar, iremos assistir a tentativas de parte a parte para ajudarem a sua posição, até que vai surgir uma posição de um qualquer tribunal a colocar um ponto final. Resta perceber se nessa altura já não é tarde para evitar uma época desastrosa e se o Sporting ainda está de pé e forte como nestes últimos anos. Impensável, há 3 anos, se me dissessem que iríamos chegar a este estado!

sexta-feira, 25 de maio de 2018

Breve apontamento sobre os últimos dias


Uma das grandes questões que coloco a mim, pessoalmente, porque razão ainda não pedi a demissão de Bruno de Carvalho? Não consigo, com sinceridade, ter uma resposta. Aliás, tenho falado com algumas pessoas que sustentam a mesma opinião que eu.

Já pensei, e assumi no podcast do Sporting160, que a seguir aos violentos ataques na Academia, Bruno Carvalho deveria ter pedido a demissão. Não porque achasse que era o culpado directo, mas como responsável máximo do clube, com ligação directa ao futebol do Sporting, teria de assumir essa responsabilidade. Se depois se iria novamente a eleições isso seria um problema dele, os sócios saberiam responder no local e no momento certo. Haverá sempre uma relação moral entre o que aconteceu na Academia e o Presidente do Sporting. Em nada, também já o reforcei, mancha o bom trabalho efectuado nestes últimos 5 anos. 

Aliás, se há uns meses atrás duas das mais recentes alterações tivessem sido introduzidas por Bruno de Carvalho, como muitos de nós pediram, talvez, talvez, não tivéssemos chegado a este ponto.

Um responsável pela comunicação do Presidente, como acontece agora com Fernando Correia, teria sido muito sensato ali por volta de Janeiro. Colocar alguma razoabilidade e acima de tudo evitar o desgaste da imagem e do mensageiro tinha sido vantajoso para o clube. Tal como colocar alguém realmente forte na Direcção do Futebol. Que fizesse a ponte entre a Direcção e Treinador/Jogadores. Alguém forte, de personalidade, de capacidade técnica e que não se envolvesse tão facilmente do ponto de vista emocional. Eu não tenho nada contra o Presidente Adepto, mas como já disse aqui neste blogue, já me custa é ver o Adepto Presidente.

Depois seguiram-se dias tristes que arrastaram o Sporting para um ponto que nunca pensei que seria possível chegar. Entre verdades e mentiras, estes últimos acontecimentos lançaram o Sporting num mar de contradições que por vezes é quase impossível saber quem está realmente preocupado com o Sporting Clube de Portugal e o respeito que a instituição centenária merece.

Ontem à noite, o espectáculo protagonizado por Bruno de Carvalho e Marta Soares não foi nada agradável.

O dia também ficou marcado pela decisão de Frederico Varandas, médico do Sporting, demitir-se. 
Tem todo o direito a isso e não pode ser acusado de abandonar o barco. O episódio da semana passada é grave ao ponto de diferentes pessoas terem equacionado a sua continuidade no Sporting. Reparem que com Frederico Varandas colocaram tudo em causa e mais as possíveis ligações do irmão e por aí fora. A Rita Matos também se demitiu, e o texto também não era agradável, e o ataque já não aconteceu.

Frederico Varandas demitiu-se e foi rápido a apresentar um possível candidatura. É um direito que assiste aos sócios em condições para se candidatarem à Presidência do Sporting. A democracia ainda é a melhor forma política para este tipo de situações.

Posso discordar do que disse Frederico Varandas em relação aos jogadores, porque ninguém pode prometer o que ele prometeu, não há certezas em relação ao assunto das rescisões, isso foi demagogia e será sempre algo a evitar. Mas de resto, não sejamos aquilo que não queríamos quando Bruno de Carvalho há alguns se lançou no Sporting. 

O Sporting há 5 anos também necessitou de alguma engenharia retirar Godinho Lopes da Presidência, tudo dentro da legalidade. A situação era, do ponto de vista desportivo e financeiro, bem pior, a todos os níveis. 

Não estou a dizer com isto que se deva retirar Bruno de Carvalho, mas os meios legais estão à disposição de todos, no passado, como agora. 

Peço apenas que respeitem os superiores interesses do Sporting e os sócios cá estarão para responder às situações a que forem chamados!

Por fim, não, não sou candidato à Presidência do Sporting Clube de Portugal!

segunda-feira, 21 de maio de 2018

Sporting 1-2 Desportivo das Aves :: valeu pela amizade!



Parabéns ao Desportivo das Aves pela conquista da Taça de Portugal. Jogou melhor, mereceu vencer e a "maior Vila de Portugal" está em festa pelo feito inédito!

A festa da Taça é das melhores coisas que o futebol nacional tem. Um encontro absolutamente incrível com os 3 ingredientes necessários, amigos, comida (inclui a bebida) e futebol e obrigatórios para um dia que se recordará para sempre na vida, para o bem e para o mal, de um adepto de futebol.

A semana passada foi atípica. Em 42 anos da minha vida de Sportinguista nunca tinha vivido nada assim. Não tinha esperança alguma de ver a final de ontem. Porque não tinha bilhete, porque não conseguia adquirir um bilhete, porque os incidentes da Academia arrancaram uma parte de mim, da minha paixão pelo futebol, que me levava a equacionar tudo. Mesmo tudo!

Sobreviver à semana passada, pelo menos em termos anímicos, no que respeita à minha pessoa, era o primeiro passo para, quem sabe, ter a sorte de ainda poder ir ao Jamor. Aos poucos fui percebendo que o amor que tenho pelo Sporting ultrapassa aquilo que por vezes eu penso ser possível. Realmente, a grande questão é que ficámos cegos com o clube, a irracionalidade dispara, só queremos estar ao lado do clube, seja nas alegrias ou nas tristezas. Assim, o destino Jamor tinha de ser possível!

Felizmente, um dos ingredientes, os amigos, funcionou. Uma desistência foi preenchida com a minha vaga. Marcaria presença no Jamor.

Como tinha referido em cima, os amigos são essenciais nesta equação. Sem eles, o prazer de ver o Sporting, decresce um pouco. Não há nada mais fantástico que um dia inteiro a falar de futebol, a comer e beber, seguindo de uma partida de futebol. Com o aproximar de domingo, a "família" começou a juntar-se. Estava a preparar-se um dia que serviria, principalmente, para esquecer esta última semana, debatendo entre nós, entre diferentes correntes, o Sporting. Falar do passado, presente e perspectivar o futuro. Sempre com a mesma paixão.

Do Porto, saímos 9 Leões. Dois são habituais companheiros do podcast Sporting160, os outros são habituais amigos das deslocações, principalmente, nos jogos aqui no Norte. O meu primeiro agradecimento é para eles. Sem eles, tudo teria sido diferente e para pior. O segundo agradecimento é para as dezenas de pessoas que cumprimentei na mata do Jamor. Os amigos habituais que tenho em Lisboa (e não só) e os novos que fazem parte de família que vamos construído semana após semana de Norte a Sul passando pelas Ilhas. Obrigado a todos, é um orgulho ser vosso amigo. É um prazer que me concedem poder discutir de forma apaixonada o Sporting.

Quando chegámos ao recinto, já perto das 13h, estava preparado para esquecer tudo até ao apito final do árbitro. Obviamente, digo-o sem problemas, aliás, disse-o numa pequena nota a um jornalista do Maisfutebol, contava com a vitória e esperava "ter algumas horas para esquecer o momento que o clube atravessa e aproveitar a festa"

Assim foi até às 17h15. Porque a partir desse momento tudo mudou.

Enquanto não começou o jogo foi uma tarde onde se viveu o Sportinguismo e onde constatei aquela que é uma verdade insofismável que o meu amigo Zé tão bem costuma dizer, "enquanto houver Sportinguistas, o Sporting nunca acabará"

E acrescento que enquanto houver pessoas como o João, mentor do projecto Sporting160, tudo se fará para engrandecer o nome do Sporting com os meios que estão ao nosso alcance. Pelo Sporting tudo!

O meu Sportinguismo nestes dois últimos anos cresceu, coisa que pensava não ser possível, a viver semanalmente e intensamente os assuntos do Sporting com o João e o Zé, os convidados e todos os que nos ouvem e criticam. Este criticam é especialmente importante para o nosso crescimento. Obrigado a todos!

Poderia ter sido a tarde perfeita, dentro do possível. Mas a partir das 17h15 começou o pesadelo.

Começou logo tudo mal com a equipa que Jorge Jesus apresentou. Dois trincos para jogar diante do colosso Aves (com todo o respeito que me merece). Mesmo percebendo todos os problemas do Sporting durante a semana que antecedeu o jogo de ontem, neste final de época o Sporting fez 3 jogos diante de Benfica, Marítimo e Desportivo das Aves. Tinha de vencer pelo menos 1 (Benfica em casa ou Marítimo) para o campeonato, marcou apenas 1 golo, e ontem para conquistar um título. Empatou e perdeu duas vezes com exibições sofríveis.

O modelo que Jorge Jesus implementou na segunda parte da época estava gasto, principalmente, ao nível das soluções enquanto alternativa. Os treinadores adversários, grande parte deles, percebeu isso. A par disso, os reforços do mercado de inverno não funcionaram e os que ainda foram parte da solução, na minha opinião, por exemplo Bryan Ruiz e Montero, não foram utilizados da forma mais adequada em detrimento das habituais escolhas, algumas inconsequentes. A teimosia de JJ foi um problema.

Claro que não podemos esquecer o que se passou durante a semana e a forma como tudo se terá abatido sobre os jogadores, tanto ao nível da cabeça, como, obviamente do treino e preparação do jogo. Os processos não se desaprendem, sabemos disso, mas não terá sido com a mesma vontade, não há problema em dizê-lo, e muito menos com a mesma capacidade emotiva, que estes entraram em campo para conquistar uma Taça que tenho a certeza absoluta que gostariam de vencer.

Isso faz-nos pensar a todos. Desde o Presidente, peça fundamental neste processo, até aos adeptos!

O balanço da época será feito a seu tempo, é preciso perceber como vão ser os próximos dias, mas, é certo, que uma época que poderia ser mascarada com uma possível vitória ontem, acaba quase por ser um falhanço se pensarmos a nível interno. A vitória na Taça de Liga é, pela importância do dinheiro no orçamento dos clubes, menos importante que o segundo lugar e uma possível qualificação para a Liga dos Campeões!

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Violento ataque ao Sporting!



Criminoso
Um acto criminoso que mancha a centenária história do Sporting Clube de Portugal.
Não há outra forma de começar a falar sobres estes acontecimentos e é absolutamente necessário repudiar tudo o que se passou no dia de ontem. 
Por um lado é um assunto de polícia, que seguirá o seu trâmite normal e legal, apurando as responsabilidades e levando até às última consequências na penalização dos prevaricadores.
Por outro lado é um assunto referente ao Sporting, antes de ser um problema do futebol. Portanto, o Sporting terá de assumir as suas responsabilidades e punir, se for o caso, quem estiver ligado ao clube e estando associado a estes actos criminosos.

Sporting
É normal, e até natural, dizer-se que isto não é o Sporting. O que aconteceu ontem na Academia não é o Sporting. Percebo a analogia, mas não concordo com o que pode ser um descartar de responsabilidades. Como disse em cima, antes de ser um problema do futebol português, que também é, isto foi no Sporting, dentro das instalações do Sporting e os atacados eram jogadores e elementos do staff do Sporting. A responsabilidade em primeiro lugar é do Sporting. Saibamos perceber isso, como saibamos entender que o Sporting é muito mais que isto, certamente, ninguém tem dúvidas, como se percebeu pela manifestação que ontem acabou por acontecer à noite em redor do Estádio e do Pavilhão João Rocha.

Direcção
Na estrutura do Sporting, e todos os clubes em Portugal, o Presidente é a sua figura máxima. A declaração de Bruno de Carvalho após os incidentes, na minha opinião, não foi a mais assertiva. Quando ele se refere ao acontecimento como um ataque à Direcção, estamos a misturar as coisas. De tarde, em Alcochete, o que se passou foi um ataque ao clube. De manhã e outras tricas que vão acontecendo poderão ser analisadas como ataques à Direcção, agora, aquele episódio em concreto é um ataque muito claro ao nosso clube.
Devo dizer que não posso, nesta altura, dizer de forma certa e coerente que a demissão de Bruno de Carvalho seja o melhor caminho, não coloco de parte, no entanto, a necessidade de alterar uma situação que entre Presidente e um conjunto de jogadores que foram agredidos e que são activos valiosos do clube, vá partir pelo lado do responsável máximo. Não aceito que isto seja transformado entre os que estão indefectivelmente ao lado dele e os que estão já a ver uma oportunidade para chegar ao cargo. Não aceito este discurso e caminho bélico em que se transformou nestes últimos tempos o Sporting. O silêncio é de ouro, segunda feira o que tiver de acontecer, acontecerá e o Sporting, de certeza, que continuará. Sempre!

Jogadores
São vítimas de um ataque. Confundir as caralhadas que um gajo manda durante o jogo, até uma espera em Alvalade ou à saída de um estádio para lhes mandar umas bocas, até uns insultos, com um ataque violento desta natureza, desvirtua os valores com os quais o meu avô, Sportinguista, que me transformou neste doente que sou pelo Sporting, me passou e identificou como Leão.
Nesta altura não espero grande coisa do jogo de domingo, aquela festa incrível que normalmente se passa no Jamor está estragada por um episódio que extravasa o futebol. 
Não sei o que os jogadores terão na cabeça neste momento e não sei se existe alguém na equipa técnica do clube que lidere estes próximos dias e seja capaz de ajudar a serenar os ânimos para o jogo de domingo.
É um dia triste e neste momento, mesmo estando sedento de vitórias e troféus, só podemos esperar pelo final da época, no domingo, e no dia seguinte, certamente, há um virar a página. Tem de haver!

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Marítimo 2-1 Sporting :: colapso!

foto: Hélder Santos

Infelizmente, não vale a pena falar muito do jogo, daquele que aconteceu no relvado, onde jogadores e equipa técnica tinham responsabilidades para fazer muito mais, mas que frustou tudo e todos.

Nos últimos 3 jogos da Liga Portuguesa, já sem a carga de jogos a que foram submetidos os jogadores ao longo da época, o Sporting realizou 3 exibições miseráveis. Principalmente nos últimos dois encontros. Uma equipa que tinha passado a depender de si para conseguir o único objectivo possível e garantir o orçamento para a próxima época, desiludiu tudo e todos, mais uma vez, chegando mesmo a deixar no ar a tentação de justificação do que se passou em campo com teorias que, nesta altura, não pensaria ser possível sequer equacionar.

Jorge Jesus é o principal culpado da época falhada do Sporting. A Taça, a possível vitória na Taça, não esconderá, nem será suficiente para apagar o mau desempenho da equipa na temporada 17/18. Estou particularmente à vontade para falar do nosso treinador porque fui defensor dele nestes 3 anos que está à frente do destinos do Sporting. Mas, neste momento, é impossível defender a forma como tudo se precipitou.

Bem sei que nesta altura é sempre fácil criticar o treinador. É fácil lançar a acha para a fogueira que desde ontem começou a arder e, em lume brando, cozinha a sua saída.  É fácil porque os treinadores são os primeiros a sofrer. É mais fácil despedir um treinador, que limpar meia dúzia de jogadores que não fizeram mais que número ao longo da época, ou que mudar de Presidente.

Por isso, no final do jogo, ontem, disse que Jorge Jesus, certamente não o fará, mas devia ter colocado o seu lugar à disposição da direcção do Sporting. Independentemente do resultado no Jamor, apresentar a demissão era o único passo certo. Se a Direcção aceitasse ou não era outra coisa. Não o digo por este 3º lugar, digo-o pelos resultados acumulados na Liga nestes dois últimos campeonatos e pelos valores envolvidos.

Claro que todos conhecemos o estilo de Jorge Jesus e ele não o fez, nem iria fazer. Mas, se tivesse o amor ao Sporting como tantas vezes apregoou, fazia-o. Sinceramente!

Ninguém está imune às críticas. Bruno de Carvalho é o Presidente do Sporting. É o primeiro culpado. Parece forte a palavra, mas é a realidade. Um líder de uma instituição será sempre o responsável máximo pelo que acontece na organização que comanda.

A entrevista que deu ao Expresso no sábado, num bom trabalho jornalístico, mostrava claramente, até porque sabemos à posteriori que a data foi acordada por ambas as partes, que a ruptura entre Bruno de Carvalho e Jorge Jesus é evidente. O recado no jornal pelo que se passou no balneário depois do post do Facebook, não deixou dúvidas que Bruno de Carvalho não ficou nada contente com a posição de JJ e, como bem sabemos, Bruno não esquece. À medida que escrevo este texto, há uma reunião entre Direcção e treinador (e depois jogadores), vamos esperar pelo seu desenlace.

E os jogadores?

Fizeram pouco. Não tenho dúvidas disso. Não quero entrar em teorias que estariam a fazer a cama ao Presidente. Seria patético demais. Mas a verdade é que nesta altura, infelizmente, eu já duvido de tudo.

A única certeza que tenho é que irei continuar a amar este clube como sempre, mesmo que por vezes, não pareça que o Sporting mereça. Não pela instituição, que me merece sempre tudo, mas pelo que alguns dos seus intervenientes mais directos vão fazendo ao nosso clube. Não conseguimos encontrar o equilíbrio, quando o fazemos rapidamente procurámos a destruição. A auto-destruição parece um pedaço de ADN do "Ser Sportinguista"!

Não sei o que o futuro nos reserva. Não sei o que pensar sobre os próximos dias. Uma possível vitória na Taça não apaga este panorama triste em que me encontro. O Sporting é uma parte muito significativa da minha vida, mas a verdade é que não há época nenhuma em que tenhamos sossego para preparar as coisas como devem ser preparadas para uma época em que apenas a nossa preocupação deveria ser o jogo jogado. Há sempre um qualquer assunto que nos prejudica o arranque da época seguinte, há sempre uma ponta solta, há sempre algo preparado, ou que preparámos, para nos auto-destruir. Tudo o que possa dizer mais sobre este assunto, poderá cair em saco roto daqui a umas horas.

Espero, sinceramente, que as partes, Direcção, Treinador e Jogadores percebam que eles, todos, passarão pelo clube e são apenas partes do puzzle em construção chamado Sporting e que começou a ser criado em 1906. Ou encaixam nos valores de quem fundou este centenário clube, ou mais vale seguirem por outro caminho. Não pode ser só o dinheiro a locomoção das suas carreiras. Se assim, for, estamos a falhar na ideologia que o Sporting quer profissionais, sem dúvida, mas, "it's not only for the money"!