segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Benfica 1-1 Sporting :: um empate nunca é um bom resultado!


Era quase meia noite quando recebo um sms de um amigo a dizer "com um André Cuz seríamos claramente candidatos". O empate já lá ia, ao que eu respondi "e um Balakov e éramos campeões".

Começo por falar eixo defensivo, não é novidade que é a partir da defesa que se constrói uma equipa ganhadora. É o sector onde o Sporting irá ter mais trabalho, saíram dois importantes jogadores, um claramente titular e outro a espreitar, e entraram três que disputam, para já, um lugar entre si. 

Tem sido Naby Sarr o eleito, aos poucos os comentadores já vão usando expressões como "foi campeão do mundo de sub-20" e coisas assim à Polga, uma espécie de psicologia invertida. Foi titular no primeiro derby e a primeira parte não correu da melhor forma. Cheguei a fazer algumas críticas que me pareciam evidentes, mas vendo as repetições dos lances mais importantes à posteriori, repara-se que Jefferson não esteve bem no jogo e raramente fechava o seu lado, e não seria de estranhar ver o francês por diversas vezes fora do seu lugar. Tacticamente esteve intranquilo nos primeiros 40 minutos. O golo do Benfica, apesar da bola qualidade de passe entre os diferentes jogadores, nasce de uma dessas falhas, que a este nível são fatais.

Com Paulo Oliveira e Rabia à espera da oportunidade, e Maurício como titular certo, é um facto que esta zona do campo precisa de melhorar e muito. Contámos com os que estão, e Tobias até espreita, quem sabe, uma oportunidade, mas é fundamental para os nossos objectivos que o centro da defesa se torne impenetrável. Hoje foi um adversário que tem o mesmo objectivo que nós, a partir de Setembro seguem-se outros igualmente fortes (e até com maior qualidade) e não podemos vacilar. A Liga dos Campeões é um teste enorme à capacidade (defensiva) desta equipa.

O golo do Benfica surge cedo, demasiado cedo para quem tão pouco tinha feito até essa altura. Minutos antes Slimani e Maurício tinham falhado com a baliza aberta, no primeiro sinal do que aí vinha. Faltavam 77 minutos para o final do jogo e estava na altura de ver de que fibra era feita esta equipa.

Não demorou muito. Sim, o jogador que em tempos foi apelidado de Rei Artur decidiu brincar com Carrillo por perto e num alívio mal feito a bola foi parar à cabeça de Slimani que só teve encostar para o golo. Empate e tanto ainda para jogar, e até para Artur brilhar e evitar a derrota!

O golo do empate do Sporting foi marcado por Slimani. Assim que soube da sua entrada directa no 11, opinei que Montero e Tanaka não merecem este tipo de tratamento. Montero não tem estado bem, é um facto e não há que esconder, Tanaka apenas teve alguns minutos de jogo após uma boa pré-época. E Slimani? Amuos, histórias em jornais pelo seu agente, notificações de culpa não assumidas. Regressa aos treinos na semana que antecede o derby, treina, bem segundo o Marco Silva, é titular e marca. Não concordei com a sua entrada e esperei apenas que corresse bem. Correu. 

Slimani marcou e apontou para o Leão e para os adeptos num estádio da Luz (quase) silenciado. Que sejam as pazes que precisámos. Menos amuos e mais golos!

O derby não estava a correr mal. Na primeira parte depois do golo do empate estivemos melhor, sempre com mais posse de bola, com recuperações importantes, mas faltava meio campo para dar seguimento a ritmo de jogo mais ofensivo. Adrien, talvez a denotar algum problema físico, William Carvalho a guardar-se para a Premier League (será?) e André Martins a não ser suficientes para a ligação entre defesa e ataque. Nani apagado.

O intervalo chegou com uma igualdade perfeitamente justa. O primeiro borrego, marcar fora para o campeonato, já estava morto!

A segunda parte começa com uma Benfica forte, a ter várias oportunidades e com Patrício a mostrar a qualidade a que nos habituou. Está lá para defender e assim foi.

Foi depois desse período mais conturbado que apareceu Marco Silva no derby. A fazer as alterações necessárias para não perder. Só assim podíamos pensar na vitória.

Tirou Carrillo para deixar Nani, este ficou mais solto, obrigou os adversários a recuarem e quando foi necessário assumir o jogo não falhou. Slimani teve aos 89' a oportunidade de ouro para saírmos da Luz com os 3 pontos. Artur, talvez, nem saiba ainda hoje como defendeu aquilo!

Depois foi a entrada de Mané e de Oriol Rosell. Importantes para desequilibrar por um lado, manter a posse de bola por outro. O Sporting tinha o controlo do jogo, sem abdicar de procurar a vitória. O jogo terminou da mesma forma que a primeira parte, mais Sporting mas sem alterações no marcador.

Pelo que se fez nos 90 minutos é um resultado justo. "Um empate para nós nunca é um bom resultado" disse-o Marco Silva no final do jogo. É completamente verdade e é assim que gosto de ver o nosso treinadore pensar. Soube a pouco diriam alguns? Talvez, mas com a equipa ainda em mutação, e com tanto trabalho pela frente, não é fácil fazer muito melhor. Lá está, termino como fechei, que falta nos faz um Balakov!

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