quinta-feira, 19 de março de 2015

Deixem-me sonhar que o romantismo não acabou no futebol!


O futebol não é, nem pode ser, só dinheiro, transferências, fundos entre outras coisas que tanto falamos diariamente. Precisamos de romantismo, cada vez mais romantismo e deixar que as histórias em torno disso tomem conta da nossa cabeça e nos deixem um sorriso, uma alegria, que nos faça convencer que nem tudo ainda está perdido!

O Borussia de Dortmund ontem perdeu em casa por três bola a zero diante da Juventus. Foi eliminado da competição mais importante do futebol de clubes. No final do jogo, Jürgen Klopp dirige-se aos adeptos, pede desculpas. O estádio esvazia-se, o frenesim de 90 minutos termina, as ruas voltam a ficar desertas e a imagem captada e que hoje vemos na imprensa e afins é brutal.

Um Klopp de mochila, sozinho, a abandonar a pé o Signal Iduna Park!


À mesma hora em Barcelona acontecia futebol espectáculo. Messi, numa daquelas noites absolutamente incríveis em que tudo lhe corre bem, Hart, o guardião do Manchester City a defender (quase) tudo e mais alguma coisa.

Mas nas bancadas do Camp Nou estava Guardiola. O treinador do Bayern esteve a assistir ao encontro, e não foi lá como espião e possível adversário do clube alemão. Vibrou como um adepto Culé, sem receios, medos ou possíveis atritos que isso pudesse causar. Aquele momento em que levou as mãos à boca depois de uma finta incrível de Messi, é, apesar do contraste com a solidão de Klopp, o que nós, adeptos de futebol e do romantismo que queremos dele, uma lufada de ar fresco. Obrigado!

Carlos Mané esteve numa acção de solidariedade pelo Sporting. Visivelmente emocionado falou dos objectivos do clube para esta época, mais importante da sua caminhada enquanto miúdo pobre para chegar onde hoje está e o que ainda tem pela frente.

Humilde nas palavras, sincero, pelo menos é o que aparenta, "Como sabem, cresci num bairro como o vosso [Quinta do Mocho]. Dos 7 aos 14 anos sempre fui para os treinos de autocarro. Fui muitas vezes assaltado" e prossegue "sempre gostei de bola e fui apoiado e incentivado pela família, que era toda do Sporting, logo não podia ser de outro clube."

"O meu sonho sempre foi ser jogador profissional no Sporting. Sempre lutei por isso, nunca faltei aos treinos. Nunca desistam dos vossos sonhos".

Tal como Carlos Mané, quero acreditar que o futebol ainda pode viver de sonhos, e estes três exemplos ajudam-nos a sonhar com isso. Nem tudo é dinheiro!

4 comentários:

grandeartistaegoleador / disse...

Grande post BdL!
Eu, romântico me confesso!
SL

Bancada de Leão disse...

Obrigado!

SL

Aboim disse...

Eu também sou romântico e até sentimentalão mas nunca seria capaz de escrever tão bem o que o mentor escreveu e com o qual estou de acordo nos três casos citados desconhecendo no entanto que Carlos Mané teve origens mais modestas. Chego a acreditar que é essa mixtura de sentimentos que orientou a minha escolha de sportinguista e de amante do futebol praticado pelo Barça! Mas algo me diz que não tenho a esperança de que as coisas mudem durante o tempo que me resta para viver. Seria para tal necessário que fôssemos varios milhões a pensar da mesma forma! E creio que somos muito poucos!

The Cure disse...

Excelente!

SL