sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

O debate entre Bruno de Carvalho e Pedro Madeira Rodrigues


Não podia começar o texto sobre o debate de ontem na Sporting TV sem endereçar os meus sinceros parabéns a todos os profissionais de clube que conseguiram que fosse possível pela primeira vez em Portugal acontecer um debate entre candidatos à Presidência no seu canal. Todo o processo foi devidamente bem pensado e executado.

Depois, expressar o meu agrado pela prestação de Rui Miguel Mendonça, moderador do debate, pela forma como conduziu o programa, ora colocando os candidatos a falar dos temas, ora dando sempre e lembrando os candidatos para o "direito" de réplica. Excelente!

Não vi o debate em directo e por uma razão absolutamente essencial, no Sporting160 onde sou convidado residente já passei pela experiência, em directo, de entrevistar e conversar com Pedro Madeira Rodrigues, e por isso, sabendo e conhecendo os seus argumentos, preferi ver no dia seguinte, com mais calma, podendo pausar a entrevista sempre que fosse necessário perceber o que realmente estava em causa com este debate.

Para mim, hoje, é o último dia de reflexão relativamente às eleições do Sporting. Amanhã irei exercer o meu direito de voto, com os meus (poucos) 4 votos, por correspondência, colocando as cruzes (ou não, porque o voto em branco também é um opção), nos boletins.

Aqui, neste blogue, sempre disse em quem votei. Não tenho problemas, apesar do voto secreto, de indicar as minhas preferências. Assumo-as, porque quando as faço, é com base no meu juízo e naquilo que entendo ser melhor para o Sporting Clube de Portugal. Assim, na segunda feira, no programa em directo que vamos fazer no Sporting160 sobre as eleições, e já depois de ter exercido o meu direito de voto, expressarei onde coloquei as diferentes cruzes.

Relativamente ao que ontem assisti, deixo aqui algumas notas.

Há muito que se pede um Bruno de Carvalho mais calmo, controlado, sem recorrer ao registo mais agressivo que tem sido marca dos últimos 4 anos. O candidato ontem seguiu por uma das vias que mais considero essenciais para um debate desta natureza: argumentos com dados (ou factos) concretos.

Do outro lado, devo dizer que se viu um Pedro Madeira Rodrigues mais assertivo que o normal, na forma e colocação de voz, firme, mas, infelizmente para o debate sem argumentos, sem propostas e com um vazio de ideias muito aquém do que se pretende para um candidato à Presidência do clube.

Pedro Madeira Rodrigues, na falta de argumentos e propostas, pois praticamente centrou o seu discurso em "eu vou ganhar", "como o Sporting vai ter novos investidores", "vamos equilibrar as finanças", "Boloni, o último treinador campeão", ou seja, num discurso demagógico em que tanto podia ser ele a dizer aquilo, ou um outro qualquer adepto que estivesse sentado no café da sua rua. É fácil dizer que se vai fazer algo, porque o difícil é mostrar o caminho!

Um dos casos mais grave foi quando se discutiram as finanças, onde Pedro Madeira Rodrigues atirou para o ar um conjunto de chavões entre "resultados operacionais negativos", "VMOC é passivo" (esta vê-se mesmo que foi apanha-la de um certo blogue do rival) e outras atoardas, no entanto, contrariado pelo saldo positivo das finanças nos últimos anos, que, mesmo para os mais cépticos em acreditar, podem, obviamente, consultar os relatórios e contas do clube. 

Nas modalidades, outro exemplo de falta de preparação de Pedro Madeira Rodrigues, é confrangedor não estar minimamente informado, e foi, para mim, o tema onde mostrou claramente que não percebe que o Sporting Clube de Portugal é mais que o futebol, inclusive, lançou uma frase que é o argumento mais básico quando se está a discutir as modalidades na chamada fuga para a frente, quando disse "é o que as pessoas mais querem saber (futebol)", numa resposta a Bruno de Carvalho quando lhe pedia para falar das modalidades. Imagino que Moniz Pereira não tenha ficado nada contente. Já agora, será que Pedro Madeira Rodrigues pode dizer o nome do filho de Moniz Pereira? O primeiro, só para não parecer que está a aproveitar-se da memória e glória do pai!

Sinceramente, não estava à espera de muito mais do que vi. Tenho a vantagem de ter passado por algo no podcast Sporting160, e fico com muita pena que o candidato Pedro Madeira Rodrigues não tenha conseguido trazer para uma discussão eleitoral os assuntos que realmente interessariam aos Sportinguistas, estejam eles contentes ou não com Bruno de Carvalho, mas sob forma de propostas sérias e sem demagogia. Não lhe ficou nada bem, tentar mostrar que tem uma família, em que deve ter muito orgulho, e ainda bem, mas com o intuito apenas de tentar descredibilizar o actual Presidente do Sporting que está a passar um processo pessoal complicado.

Cabe aos Sportinguistas, que viram ontem o debate único na televisão do nosso canal, decidir em consciência. Eu já me decidi e amanhã exerço o meu direito de voto pelo que entendo ser o melhor para o Sporting Clube de Portugal e uma coisa eu tenho a certeza, nunca abandonarei o clube do meu coração!


2 comentários:

Francis disse...

Se me permites só um raparo, o moderador não foi tão isento quanto isso, apenas interviu em cima do PMR.
Um embate fraco e pouco esclarecedor, BdC defendeu-se não era ele, e PMR jogou tudo de um modo iconsequente,
De resto, e após a fraca prestação da Sporting TV em termos de produção, foi uma excelente prova de democracia num Clube.

Viva o Sporting Sempre.

Chronus disse...

Globalmente de acordo, BdL.

É notorio que quem "assevera" que o vencedor do debate foi PMR é o mesmo tipo de pessoa que classifica de "fraquinha" a Sporting TV e de mau profissional quem moderou o debate. É também notório, e não é de espantar, que os argumentos deste tipo de pessoa coincidem, ponto por ponto, com as falsidades propagadas pelos apoiantes (e pelos peões pagos) do rival encarnado.

Quando digo "globalmente de acordo" deixo de fora um aspecto que me parece essencial. Não tive o benefício de falar directamente ou entrevistar PMR, mas afigura-se-me evidente que a falta de argumentos e a falta de preparação de PMR revelam facilmente qual o objetivo detrás da sua candidatura.

Nunca foi objetivo de PMR vencer Bruno de Carvalho. Dificilmente alguém conseguiria, na conjuntura actual (pese embora o lugar que a equipa principal de futebol ocupa na tabela), vencer Bruno de Carvalho. Todos o sabemos. Especialmente, ninguém sem capacidade argumentativa (a forma como PMR se expressa é reveladora) e com pouquíssimos argumentos e conhecimento de causa conseguiria jamais constituir-se como alternativa ao presidente actual.

O objetivo é, e sempre foi, o de causar mais erosão a Bruno de Carvalho, o de fornecer material para a Com. Social continuar a atingir o presidente e o clube, o de cimentar a duvida e a confusão entre os adeptos Sportinguistas.

O objetivo é também, e sempre foi, o de preparar o caminho para algo mais.

O mundo Sportinguista vive na ilusão de que, aquilo que parece é, de que aquilo que alguns comentadores, jornalistas, bloguistas e meios de Comunicação Social dizem é de facto real.

E entre aqueles que conseguem ver mais fundo, há ainda muitos que se recusam a ver que, por baixo das camadas de cebola que descascaram com algum esforço, há mais camadas. Camadas sob camadas.

O Sporting é um gigante adormecido. Isso é um problema para os rivais, especialmente aquele que tudo tem feito para o destruir.