sábado, 3 de março de 2018

Porto 2-1 Sporting :: jogar bem não chegou!

foto: MIGUEL RIOPA/AFP/Getty Images


Vamos, com quase toda a certeza, falhar o principal objectivo da época 2017/2108, a conquista do título de campeão nacional da Liga Portuguesa. Pessoalmente, num dos anos que tinha mais confiança que poderíamos chegar lá, estou desolado. Obviamente, o balanço da época ficará para o mês de Maio deste ano.

É precisamente por Maio do ano passado que quero começar a história do campeonato deste ano. Mais precisamente o dia 11 de Maio de 2017. O dia em que uma singela linha de um comunicado do Sporting, precisamente o ponto 4 que tanto tenho falado desde esse dia, principalmente a seguinte passagem "...há caminho que pode e deve ser feito em conjunto, considerando que é muito mais aquilo que nos une do que aquilo que nos separa.".

Duas notas absolutamente vitais sobre estas linhas. Primeiro, o Sporting é um clube nacional, maioritariamente, e conhecido a nível mundial. Um história incrível que atravessa gerações e gerações, locais e credos, não é, nem nunca será um clube de Lisboa. Eu adoro Lisboa. Mas o Sporting é um clube de Portugal, e quando esse comunicado saiu cá para fora, foi uma punhalada pelas costas para uma, duas ou mais gerações, que não esquecem a história do anos 80 e 90, dos Apitos Dourados, das frutas e das meias leites. Eu senti-me humilhado. Compreendo, perfeitamente, a rivalidade com o Benfica, pela história e proximidade, mas quando se trata do Sporting, é de todos que estamos a falar. 

A segunda nota é sobre o caminho feito em conjunto que fala o comunicado. Nunca em Portugal um caminho que se espera de consenso, de mudança de paradigma no futebol nacional pode ser feito por dois clubes quando há três grandes. Os grandes temas ou são discutidos por todos ou então, o caminho conjunto, no momento da verdade, vai tombar para os do costume. Tal como ontem se viu no regresso das Antas ao Dragão.

Este ano foram pouquíssima as vezes que falei sobre arbitragens, não costumo refugiar-me na arbitragem, mas foi tão evidente o recuo no tempo e chega-me, para isso, contar 3 momentos da partida no estádio.

O primeiro foi a grande penalidade aos 17 minutos. Não é preciso verificar no vídeo árbitro a falta cometida pelo maior caceteiro da Liga Portuguesa que continua a passear impunemente pelos campos de Portugal. Depois, Soares Dias, o "apertado da Maia", obviamente que visualizou as imagens, era demasiado escandaloso não seguir o procedimento, mas, como seria esperado, mandou seguir. 

O Sporting podia começar o jogo a ganhar, intranquilizando o Porto, que, como se viu, não reagiu bem à pressão do Sporting, e 10 minutos depois sofre o golo. Da posição de possível vencedor, já se encontrava a perder.  

Depois dois factores absolutamente atípicos do futebol do século XXI. Os apanha bolas, completamente instruídos para nunca lançarem uma bola para os jogadores do Sporting desde o primeiro minuto. Lastimável, quase tão mau como o speaker do Dragão que tinha de se colocar de joelhos para que os adeptos da casa cantassem.

Em seguida, para o espectáculo tomar as proporções de outros tempos, tivemos o episódio dos bombeiros. Certamente, caso único em Portugal com 2 deles a serem expulsos do terreno de jogo depois da borrada que fizeram, mas, claro, aplaudidos pelo "tribunal do Dragão". 

Por momentos, temi que ainda aparecesse um qualquer elemento afecto ao Porto, dentro do relvado para colocar a bola dentro da baliza de Patrício, relembrado aquele que terá sido o momento mais épico de malabarismo do futebol nacional em décadas.

O Sporting reagiu muito bem a este jogo em que partiu não só como pior classificado, a praticar um futebol muito instável nos últimos jogos e com dois jogadores fundamentais fora da equipa. Aliás, quando todos temiam o pior porque Gelson não poderia dar o seu contributo, eu lembrei que em 200 e tal minutos que participou contra o Porto, nos anteriores 3 jogos, não marcámos um único golo.

Aos 45 minutos, Rafael Leão, formado na nossa Academia, que eu já tinha reclamado a sua titularidade no jogo para a Taça de Portugal, entrou para o lugar de Doumbia, claramente em baixo de forma e, quem sabe, ainda a braços com o problema que o afectou na jornada anterior, e facturou o golo mais que justo do empate na saída para o intervalo. 

Chegado a meio do encontro percebia-se que poderíamos discutir a vitória, no entanto, olhando para o banco encontrámos poucas soluções. Leva-me a duas notas sobre isso.

No início da época era evidente para mim que tínhamos equipa e banco para lutar pelo campeonato. O que se percebeu, ao longo da época, é que além de Jorge Jesus jogar sempre com os mesmos, desgastando-os mais rapidamente, os suplentes nunca foram capazes de dar uma resposta permanente e de qualidade que se poderia esperar. Será, sem dúvida, a primeira grande crítica que se poderá fazer no balanço final da época 17/18. A outra nota está relacionada com o mercado de inverno. Este mercado existe para contratar jogadores que possam ser solução para o que falta da época e preencher lacunas, e/ou o fecho de um grande negócio que possa aparecer. As lacunas não foram preenchidas, continuamos a apostar nos mesmos até à exaustão.

Para a segunda parte pedia-se, nos primeiros 15 minutos, um Sporting seguro enervando o Porto ainda mais, mostrando que seria mais do que normal disputar a vitória pelo jogo. Cedo sofremos o golo num dos lances mais desorganizados do Sporting de Jorge Jesus esta época. Uma surreal jogada em que todos falharam. Incompreensível!

Voltamos a correr atrás do prejuízo. Não fomos felizes. A somar ao que disse nos primeiros parágrafos, acrescente-se a eficiência do Porto que em 3 lances de perigo marcou 2 golos. Nós falhámos por Montero e Rafael Leão golos cantados que permitiam o empate e no final tudo junto contribuiu para que saíssemos derrotados das Antas.

Duas notas finais para Rafael Leão e os adeptos do Sporting.

Leão mostrou a Jorge Jesus que este ano poderíamos e deveríamos ter olhado para certos jogadores, em jogos teoricamente mais acessíveis, e ter dado oportunidades a quem realmente as merece poupando e rodando a equipa baixando o esforço físico evidenciado ao logo da época e que nos foi fatal nos primeiros dois meses deste ano.

Os adeptos do Sporting foram incansáveis no seu apoio durante os 90 minutos. Algo que vem sendo natural, principalmente se pensarmos que não vencemos o campeonato há tanto tempo. A força que vem das bancadas para o relvado merecia melhor sorte e empenho de todos que estão no rectângulo de jogo com a camisola do nosso Sporting.

Não aceito que se baixe os braços na Liga Portuguesa, e portanto, apesar de ser praticamente impossível o título, todos os jogos até ao final da época são para ganhar a começar já em Chaves!


Edit: porque apenas vi o jogo no estádio, o texto refere-se erradamente a Felipe no lance do pénalti, quando foi Dalot a cometer a falta. O texto não será emendado, fica feito o reparo aqui, Felipe é mesmo aquilo que lá está escrito!

6 comentários:

Carlos Duarte disse...

Sim, o titulo já foi, mas o 2 lugar poderá ser muito importante para estarmos na champions no próximo ano. É fundamental ainda lutar por ele.

Bancada de Leão disse...

Verdade Carlos. E quanto mais não seja, porque o Sporting tem de jogar sempre para ganhar. Aquela camisola não é para brincar!

T W disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
T W disse...

Agora todos falam do Rafael Leão, se calhar alguns dos que o assobiaram a segunda-feira

Nuno disse...

O Porto teve, para além dos golos, uma bola no poste, duas bolas sacadas em cima da linha e um falhanço do Marega só com o guarda redes pela frente. Teve uma mão do Mathieu quando o Marega se isolava, uma entrada por trás que devia ser para vermelho do Acuna e as parvoíces habituais do Coentrão que passaram sem punição. No entanto para o Varela o Porto marcou 2 golos nas únicas 3 oportunidades que teve e o árbitro roubou imenso o sporting, por causa de uma falta tão óbvia como as parecenças do Felipe com o Dalot. Está tudo dito.

Bancada de Leão disse...

Podes desvirtuar o que quiseres...ninguém tira as Antas de vocês.