Sporting 1 (5)-(4) 0 Porto :: no Jamor com muito amor!

foto: Pedro Fiúza/NurPhoto via Getty Images


Quis o destino que na primeira mão do jogo no Dragão eu estivesse a viajar de Lisboa para o Porto impedindo-me de seguir com atenção o jogo. Cheguei a casa já a segunda parte decorria, custa-me muito ver em casa jogos do Sporting que, à partida, costumo ver ao vivo. Nesse dia, já o disse por diversas vezes, aqui e no podcast do Sporting160, não quisemos ser felizes. Ainda assim, viemos de lá com uma desvantagem perfeitamente possível de alterar.

Ontem, o destino tinha reservado o inverso. Tinha de estar em Lisboa na manhã do dia seguinte ao jogo em Alvalade, portanto, era possível avançar para o jogo e ver ao vivo a passagem do Sporting, inteiramente justa e tão intensamente festejada por todos.

Ver o Sporting ao vivo em Alvalade, e sei que muitos que lêem este blogue fazem-no com regularidade, é muito especial para quem, como eu, vive longe e sente saudades em demasia destes dias, das emoções que antecedem estes jogos, das frustrações e alegrias que acontecem após cada partida.

Ver o Sporting ao vivo é estar com a nossa “família”. Amizades cultivadas com o futebol, em particular com o Sporting, é ser-se bem recebido, é uma sensação sempre incrível de comunhão por algo que todos amamos e que sabemos que nunca irá sair da nossa vida.

Ver o Sporting ao vivo é estar com o Luís, Miguel, David, Liliana, Marta, Pedro, André, Carla, Ivo e tantos, tantos outros que vamos conhecendo, mesmo que os nossos pontos de vistas por vezes não sejam idênticos, mas com a certeza que naquele momento estamos a falar e a viver uma paixão que nos une e jamais nos deixará indiferentes.

Ver o Sporting ao vivo…se o nosso coração bate para mostrar que estamos vivos, ver o Sporting ao vivo devia ser o sangue que nos corre nas veias.

O Sporting tinha que ganhar a eliminatória e marcar presença no Jamor. Claro que era preciso demonstrá-lo em campo, mas este grupo de trabalho, todo, merece e muito a magnífica festa que é a ida à final da Taça de Portugal. Merece por tudo que tem sido feito e pelas adversidades que nos colocam todos os dias, pelas pedras no caminho que nos fazem tropeçar mas não nos vão fazer cair. Porque os Sportinguistas não têm memória curta e sabem, muito bem, o que é estar na lama, na humilhação e no desespero para ver o Sporting regressar à sua posição natural e estarem impotentes para ajudar a consegui-lo.

Por falar nisso, em 2018, no Estádio José Alvalade, eu ouvi, ninguém me contou, duas coisas absolutamente incríveis que esperava por esta altura não ser possível ouvir. A primeira foi a reclamar com Bas Dost. Dizer que Bas Dost é um “bom ponta de lança, não é um ponta de lança bom”, a frase nem faz muito sentido, mas a expressão de quem a proferiu queria referir-se a Bas Dost como alguém que não é assim tão bom, quase banal, isto tudo quando eu comentava o lance de Gelson ainda na primeira parte. A sério?

A segunda, é para mim, mais grave. Todos podem e devem expressar a sua opinião, nada contra, mas, dizer que o “Presidente Bruno de Carvalho é o pior presidente da história do Sporting” é mesmo de quem não tem memória. Complementada a expressão por “até com o Soares Franco tiveste dois segundos lugares”. Um Presidente, Soares Franco, que por pouco, muito pouco, não acabou com o clube.

Adiante. Desculpem-me este desabafo, mas pensei que não era possível ouvir-se isto na nossa casa.

O Sporting apresentou-se no relvado de Alvalade com uma equipa muito próxima da mais forte que poderíamos apresentar. Mais uma vez, para mim, a grande dúvida era se iríamos conseguir contrariar o domínio que o Porto já exerceu sobre nós no jogo para o campeonato, onde demorámos a reagir, e que se repetiu na Taça Da Liga, pelo menos na primeira parte. Tinha receio que esse domínio levasse a algum sucesso e se eles marcassem um golo, tudo se tornaria mais complicado.

Não só não aconteceu, como o Sporting reagiu bem ao maior fulgor físico do adversário apenas nos primeiros 45 minutos, e dominou e controlou o encontro por forma a ser possível, no mínimo, o empate da eliminatória.

Admito que nos últimos 10 minutos estava descrente e não estava a conseguir lidar com a possibilidade de perder esta eliminatória. Principalmente porque Jorge Sousa iria permitir o anti-jogo tradicional de Casillas e seus companheiros. Ver o Porto, como já tinha acontecido no Dragão para o campeonato, usar a táctica dos pequenos em pelo menos duas vezes contra nós esta época, é, quanto a mim surreal.

Sérgio Conceição provou um pouco do veneno que usou na Luz uns dias antes, acreditou que chegaria ao final dos 90 minutos com o empate, mas Coates, num acto de justiça divina marcou um golo que nos levou para mais 30 minutos de jogo.

No prolongamento já só o Sporting teve pernas. Podíamos ter marcado por 3 ocasiões, todas flagrantes, o que não aconteceu e levámos para os pénaltis a grande decisão.

Foi a terceira vez este ano que vi os pénaltis ao vivo em decisões importantes para o Sporting. Em Braga estive nos dois jogos que nos permitiram conquistar a Taça da Liga, e ontem, estranhamente quando comparado com esses jogos estava muito mais calmo. Talvez a sentir que a ida ao Jamor estava conquistada e não seriam os 5 chutos do Porto que nos iriam colocar fora da Taça de Portugal.

Uma atrás do outra como numa marcha, bem sincronizada, as bolas iam entrando na baliza de Casillas impotente não só pela força dos remates dos jogadores do Sporting como das palmas e assobios que vinham da bancada sul mostrando que ontem, naquela noite, só ia dar Sporting custasse o que custasse.

O Sporting venceu, mereceu e está na final do Jamor!

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