Bruno, chega!


A primeira vez que falei de Bruno de Carvalho neste blogue foi em Fevereiro de 2011. Já lá vão 7 anos e meio, faz agora em Agosto no dia 7. Era um post simples para confirmar o que há muito se percebia, naquela altura, Bruno de Carvalho ia candidatar-se à Presidência do Sporting Clube de Portugal.

Escrevia eu, em 2011, "Nesse contexto, e ao dia hoje e no momento em que escrevo estas linhas, a candidatura de Bruno Carvalho parece-me a mais indicada para essa ruptura". Esta sempre foi a premissa mais importante para que o meu apoio começasse a fazer sentido em relação à candidatura de Bruno de Carvalho.

Era importante interromper com uma "dinastia" que não tinha, principalmente nos últimos, trazido bons resultados ao Sporting e que, acima de tudo, trouxesse uma ideia mais próxima de dirigir um clube a pensar nos adeptos (e sócios) e não, apenas, em clientes das sociedades desportivas.

Não vou fazer o relato do que se passou nos últimos anos. Foi um caminho complicado, que valeu a pena numa grande parte do seu trajecto.

Na semana passada, faz hoje oito dias, num Sporting160 especial com vista para a AG, tinha dito que, apesar de não poder estar na AG, não saberia em que sentido seria o meu voto porque, pela primeira vez na minha vida em que me lembro de debitar caracteres sobre qualquer assunto no Sporting, com maior ou menor imparcialidade, eu não sabia o que pensar. Por um lado, a minha interpretação disto tudo é que Bruno de Carvalho deveria ter-se demitido e convocado eleições para Setembro/Outubro no dia dos acontecimentos de Alcochete, por outro, não me via a entrar no clube um regresso ao passado com Ricciardi, Zés e outras figuras que, chegaram a dar jeito a Bruno de Carvalho e ele nunca cortou com elas.

Os Sportinguistas foram chamados a uma Assembleia Geral que foi o pior momento que vivi como Sportinguista nos últimos anos. Ou, provavelmente, que me lembre. Estatutos sempre aberto no computador, informação e contra informação de todos os lados, uma falta de respeito por uma entidade centenária como o Sporting. Uma falta de respeito por todos nós.

A Assembleia Geral foi declarada legal por um tribunal, tal como já tinha dito há umas semanas, estes assuntos iriam ser todos decididos por juízes, e assim, o dia 23 de Junho ficaria marcado para que os sócios dissessem, como sempre foi no Sporting, o que pretendiam para o clube.

Não me vou alongar muito no texto, estamos fartos de ler tudo e mais alguma coisa, mas os Sportinguistas responderam de forma incrível à convocatória da AG. Foram quase 15 mil, entre habituais sócios nas AGs, que nunca perderam uma, entre habituais que vão quase a todas, entre alguns que vão esporadicamente, para assuntos maiores, entre alguns que nunca foram. A minha dúvida na votação estava em perceber quantos estariam de cada tipo e o poder que tinham enquanto sócios.

Conheço dezenas deles que fizeram poucos quilómetros e outros mais de 500 para chegar, votar e sair. Não há ninguém que possa medir o pulso ao que passou só pelos que lá estiveram.

Não sei se houve ou não marosca na AG, como não sei se houve nas célebres eleições que eu acho que Bruno de Carvalho perdeu embora ganhando a Godinho, mas nem nessa altura se impugnou a AG Eleitoral.

O que sei é que votaram quase 15 mil sócios, nem vou pela parte dos votos, mas 2 em cada 3 Sportinguistas disseram que queriam a destituição do Conselho Directivo. É um resultado esclarecedor. Para mim surpreendente, disse-o a quem estava comigo nessa noite.

Os Sportinguistas falaram e o dia seguinte tinha de ser, sempre, o próximo dia do resto das nossas vidas.

Bruno de Carvalho fez um post assustador no Facebook para umas horas depois voltar atrás com a palavra. Esta janela horário representou para mim uma tristeza enorme. Quem falou comigo durante esse período sabe perfeitamente o que eu apostei no Bruno Carvalho enquanto Presidente e vê-lo ir contra aquilo que o Bruno Carvalho de 2011 na sua essência representava, custou-me imenso.

Um amigo, daqueles que sabe discutir, dizia-me "Mas quem está de fora como eu vê isto com outros olhos", eu nunca fui de entrar por essa via, mas estava resignado, ferido, triste e, provavelmente, disse o que sentia "De fora vê-se o que o coração não deixa".


Eu não vou entrar em discussões para medir Sportinguismos, nem vou falar do que ele fez no passado no clube, nem esquecer que votei nele 3x e agradeço muito do que foi feito e está escrito neste blogue ao longo destes últimos anos, mas nunca imaginei ler algo como "Buno de Carvalho impedido de entrar em Alvalade". Parte-me o coração perceber que ele não soube parar.

Bruno de Carvalho na noite de sábado olhava os resultados, das mesas todos onde o "Não" não conseguiu ficar à frente do "Sim" em nenhum delas, e deixava o Sporting seguir os seus trâmites estatutários.

A vontade dos Sportinguistas tinha sido clara.

Depois, se entendesse candidatar-se (como parece que vai acontecer), estaria no seu direito e no dia 8 de Setembro os Sportinguistas voltariam a definir o futuro do clube. Como sempre!

Bruno, chega, por favor!

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