Sobre a AG de 15 de Dezembro



Há mais de 15 anos que escrevo, diariamente, em blogues de futebol sobre o Sporting, essencialmente. Estou habituado a dar a minha opinião sobre diversos assuntos e a receber as críticas, negativas ou positivas. Nestes 15 anos sempre escrevi, e continuarei a escrever, com independência. Nunca fiz um único euro a partir da publicidade, não foram poucos os contactos para tal, acho mesmo, que nunca me ofereceram um bilhete ou algo parecido. Escrever sobre o Sporting é uma paixão e que já me custou em 2018 alguns problemas completamente desnecessários.

Emitir uma opinião é para mim um acto quase obrigatório em temas fundamentais no Sporting. Esteja certo ou errado, seja contrário ou favorável ao que mais tarde os sócios vão decidir. Mas é essencialmente uma necessidade para exprimir o que penso e combater extremismos que dificilmente nos levam a algum lado. Por isso, sobre a AG de hoje aqui vão algumas reflexões.

Local
Começo sempre pelo local e pela forma como as AGs são preparadas sempre que escrevo ou falo, como no Sporting160, quando o assunto são assembleias gerais. Em 2018 a assembleia geral está centralizada em Lisboa. Há dezenas e dezenas de soluções para que, no mínimo, uma AG pudesse ser complementada com 2 ou 3 locais de norte a sul do país para que os sócios do Sporting Clube de Portugal pudessem ouvir e votar pelo futuro do seu clube. Encontrar um local e dotá-lo de tecnologia capaz de remotamente dar voz a todos os que constituem o clube é, em 2018, repito, das tarefas mais simples que podemos encontrar na gestão do Sporting. Fica portanto, o meu desagrado por ainda não ser possível a minha presença na AG para votar e/ou falar. Reparem que não estamos a discutir se o Sporting vai mudar de estádio em Lisboa para outros sócios puderem ver os seus jogos em casa, isso nem faz sentido, agora a descentralização de uma AG é apenas e só uma medida que muitos prometeram e ainda não cumpriram.

Condenação
Quando estiver terminado o processo que envolve Alcochete, Cashball ou a Auditoria de Gestão, introduzida pela anterior direcção como uma obrigatoriedade, os factos forem apresentados perante os sócios e discutidas as merecidas ou não expulsões, estaremos a fazer aquilo que nos parece lógico. Quem denigre a imagem (e o Património) do Sporting ou é punido por um tribunal ou uma comissão independente para analisar as contas só tem um caminho possível: a expulsão. Quem pensar o contrário não estará no clube certo. Isto já aconteceu com Godinho Lopes, após trabalho de uma auditoria, bem como com Paulo Pereira Cristóvão. No nosso clube tem de haver respeito sempre pelo pluralismo de expressão e democracia, na garantia dos direitos e liberdades fundamentais e na separação e interdependência de poderes de quem gere o clube.

Estatutos
Durante meses foi o documento que mais tempo esteve aberto no meu computador: os estatutos do Sporting. Na procura de respostas ao que se lia pela internet em relação à opinião de A ou B nos assuntos do Sporting. Um dia era um entendimento, outro dia era uma opinião completamente diferente. Até pessoas com conhecimentos legais vi a discutir o mesmo ponto sem certezas. É normal, foi normal e, na minha opinião, era possível ter sido ultrapassado.

Não creio que os actos que acusam a anterior direcção sejam ditatoriais e que faziam tudo para se manter no poder. Uma coisa é acharem que estavam a fazer correctamente e por isso seguiram o caminho que todos sabemos. Tiques de ditador, infelizmente, parece-me ser algo transversal a qualquer direcção que está no poder, ainda recentemente vimos pequenos episódios. Algo que tem sido criticado por mim ao longo de vários anos. 

Sempre o disse, Bruno de Carvalho deveria ter saído pelo seu pé cumprindo, nessa altura, a melhor leitura dos estatutos.

Houve um caminho que foi seguido pela anterior direcção, que eu contestei, entre pareceres favoráveis e desfavoráveis, contrariado pela MAG que levou à AG de destituição. Nesse dia, que eu sempre achei que poderia ter sido evitado por Bruno de Carvalho se tivesse pedido demissão em tempo certo como por aqui escrevi, o anterior Presidente foi punido pelos sócios. Destituído como nunca tinha acontecido na história centenária do clube. Repito, foi punido pelos sócios!

Votar
Votar hoje, como em qualquer outra situação, é uma arma positiva que os sócios têm, uma obrigação que nunca deve ser descurada. É aquele momento em que percebemos que podemos mesmo decidir o futuro do Sporting. Não quero com o meu texto ajudar ou moldar o sentido de voto para hoje, cada um deve decidir em liberdade e consciência sobre o entendimento deste assunto e no final, quando os resultados forem anunciados, aceitarmos qualquer decisão. 

Votaria, caso estivesse na AG, contra a manutenção da suspensão de Bruno de Carvalho. Não penso, nem desejo que este voto fosse para, eventualmente, abrir uma porta para o seu regresso. Não, não confundam as coisas. Bruno de Carvalho não tem condições para voltar à Presidência do clube, nem me parece que seja isso que ele quererá e particularmente não é o meu desejo.

Penso apenas que era o melhor sentido para o voto de hoje para dar seguimento a uma memória de trabalho efectuado nos últimos anos que está à vista de todos. Com os erros que sabemos e foram todos, digo mesmo todos, falados aqui neste blogue, mas que permitirá que seja encontrada uma decisão final sem amarras. A união, tão falada pela actual Direcção, tem hoje um forte teste. Porque como disse em cima quando falei da Condenação, quando os dados todos forem conhecidos, nessa altura, não haverá, obviamente, piedade ou perdão!

Termino a desejar duas coisas, que os visados, ou os recorrentes, falem antes, os tais 15 minutos, de se iniciarem as votações e que seja uma fantástica Assembleia Geral com o respeito pela democracia que um clube como o Sporting Clube de Portugal merece!

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