Quero o futebol de volta ao Sporting!



Tenho saudades de falar apenas do futebol do Sporting. Hoje em dia, um Sportinguista é um especialista de bancada em futebol (e também modalidades), direito, negociação, técnicas de venda, marketing...digital, retalho e, acima de tudo, na logística de Assembleias Gerais.

Eduardo Azevedo, escritor com extensa obra publicada desde os anos 30 e que escreveu o livro em três volumes História e Vida do Sporting Clube de Portugal, em 1950 disse “Mais importante que o ecletismo do Sporting, é a fusão da alma do clube com a alma da multidão dos seus sócios e adeptos”.

O Sporting estará ligado à aristocracia na sua génese, mas a multidão, a alma dos seus adeptos, sempre foi evidente e fundamental ao longo da sua vida.

E a alma de um adepto ou sócio é, essencialmente, falar de futebol!

Nos próximos meses o Sporting poderá avançar para a terceira destituição de uma Direcção. Tecnicamente, só uma aconteceu, porque a de Godinho não avançou por causa da sua demissão, mas esteve iminente, Bruno de Carvalho foi mesmo destituído e Frederico Varandas vai em breve perceber se haverá ou não Assembleia Geral para analisar a sua possível destituição. Impensável ser esta a nossa vida!

Não me interpretem mal, eu também gosto de falar de todos os assuntos que lá em cima identifiquei e terei sempre muito a dizer sobre o estado actual do clube, mas amo, acima de qualquer outro tema, falar de futebol.

No Sporting, nestes últimos anos, fala-se pouco de futebol. Grande parte das conversas entre os seus adeptos, nunca tão fraccionados como hoje em dia, passam por quase tudo menos pela movimentação da redondinha dentro das quatro linhas.

Vamos com 11 jogos do campeonato e 3 treinadores. O futebol é pobre, talvez ajude a perceber, em parte, porque pouco falamos dele, mas a discussão é essencial. O planeamento da época foi desastroso. As consequências estão à vista. Que modelo deve seguir o Sporting quando, neste momento, está bem longe da performance dos dois principais rivais que, na verdade, a continuar neste ritmo deixam de o ser.

O treinador serve os nossos intentos? Obviamente não chega ser do Sporting e Silas terá de procurar fazer mais que “apenas” vencer os jogos. A formação entra ou não definitivamente nos nossos planos e o paradigma é alterado de uma vez por todas? Estou farto da conversa da “melhor academia” para depois ver os outros aproveitarem os nossos jovens jogadores. E o scouting? Estamos a identificar bem os mercados onde podemos pesquisar e encontrar jogadores que sirvam as nossas necessidades, tanto em valor qualitativo para a equipa como financeiro?

O Zerozero convidou-me para escrever alguns textos sobre o Sporting e irei focar mais no que se passa dentro de campo, nunca esquecendo outros assuntos vitais para a vida do clube.

Mas permitam-me terminar com um trecho de um outro texto que já este ano escrevi.

Todos nos recordamos das enchentes que se verificavam no velhinho Alvalade mesmo quando os títulos voavam para outras paragens. Havia um sentimento único que juntava a paixão ao clube e a vontade de fazer parte de um ser vivo irracional, que é a loucura de amarmos o nosso clube.

Essa paixão, esse estado de alma, foi-se perdendo cada vez mais desde 2003 (o novos estádio, as SADs). O eco das bancadas vazias no actual estádio são lanças que nos perfuram o coração e nos transportam para as memórias, fazendo soltar em nós pensamentos como “que saudades que eu tenho do velhinho José Alvalade!”.

Quero o futebol de volta ao Sporting!


(este texto marca a minha estreia no ZeroZero e que está online aqui: 

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